A história da policial Gisele Alves Santana, encontrada morta em janeiro, levanta questões sobre relacionamentos abusivos dentro da corporação. Gisele, de 29 anos, tinha um vínculo tumultuado com o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto.
Segundo informações do boletim de ocorrência, obtidas pela CNN Brasil, a mãe da vítima relatou que o oficial impunha restrições à filha, como a proibição de usar batom, salto alto e perfume. Além disso, exigia que Gisele realizasse várias tarefas domésticas.
Relatos emocionais indicam que Gisele manifestou à mãe seu desejo de se separar. No entanto, uma mensagem perturbadora do tenente-coronel, que enviou uma foto com uma arma apontada para a própria cabeça, a fez hesitar em seguir com a separação.
A mãe de Gisele, ainda abalada, contou que a policial a contatou chorando, afirmando que não suportava mais a pressão do relacionamento. Ela pediu ajuda para deixar a casa, mas recuou, indicando a confusão emocional que vivia.
A investigação da morte de Gisele foi iniciada pela Polícia Civil de São Paulo, tratando o caso como morte suspeita. O tenente-coronel afirmou que conheceu Gisele em 2021 e que o relacionamento, que oficialmente se tornou um casamento em 2024, começou a deteriorar-se após sua transferência para o 49º Batalhão da Polícia Militar.
Ele acusa Gisele de ter recebido mensagens anônimas e manipulações por parte de terceiros, o que intensificou os conflitos entre eles. O relacionamento tornou-se ainda mais problemático, com discussões que culminaram em separações físicas e emocionais dentro da casa.
Momentos antes da tragédia
Geraldo conta que, dias antes da morte, Gisele manifestou a intenção de ir embora e pediu o divórcio, gerando uma série de desentendimentos. Ele relatou que a polícia foi acionada após ouvir um disparo em sua casa, mas não conseguiu evitar a tragédia.
Na manhã do dia 18, após comunicar a intenção de se separar, ele alegou que Gisele reagiu de forma explosiva. Instantes depois, ouviu um tiro e a encontrou caída no chão. Gisele foi atendida rapidamente, mas infelizmente não sobreviveu.
Investigação em andamento
Após o ocorrido, o tenente-coronel foi levado ao hospital para atendimento psicológico. Ele solicitou permissão para entrar novamente em sua casa, uma autorização que foi concedida posteriormente. A investigação prossegue, enquanto a tragédia continua a repercutir dentro e fora da corporação.
*Sob supervisão de AR.