Petróleo e Super El Niño elevarão preços de alimentos em 2026

O impacto dos conflitos no Oriente Médio e as mudanças climáticas estão se tornando fatores cruciais que influenciam os preços dos alimentos no Brasil. A avaliação da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) destaca que, no segundo semestre de 2026, as cotações podem sofrer consideráveis aumentos devido a esses dois grandes assuntos.

Consequências dos Conflitos Globais

Segundo Marcio Milan, vice-presidente da Abras, a guerra entre Estados Unidos e Irã tem afetado a economia de diversas maneiras. O preço do petróleo, por exemplo, teve um aumento significativo. Desde o início do conflito em fevereiro de 2026, o preço do petróleo Brent e WTI disparou, atingindo picos de US$ 120. Isso gera incertezas, especialmente em relação à abertura do Estreito de Ormuz, que é responsável por um quinto das exportações mundiais de petróleo.

Com a confirmação de novos ataques, a volatilidade dos preços continua. Na recente oscilações de preços, os contratos futuros do petróleo avançaram acima de 5%, aproximando-se de US$ 80 o barril. Essa instabilidade influencia não apenas o mercado de energia, mas também toda a cadeia de abastecimento de alimentos.

Influência do El Niño na Produção Agrícola

Outro aspecto relevante é a previsão do fenômeno climático El Niño para o fim deste ano. Milan afirma que a expectativa de um aquecimento maior em comparação a 2025 pode impactar diretamente a produção de alimentos no Brasil. Esse fenômeno é crucial, pois afetará a produção de culturas básicas, levando a possíveis aumentos nos preços.

A intensidade prevista do El Niño é de 63%, o que o colocaria entre os mais intensos desde 1950. As implicações desse fenômeno climático são amplas. Com o aumento esperado nos preços, produtos como batata, tomate e cebola já estão apresentando altas significativas. A Abras está atenta aos desenvolvimentos do El Niño, já que ele pode agravar uma tendência de preços que já é alta.

A Alta nos Preços de Alimentos

Os dados do Abrasmercado indicam que, em maio, a cesta de consumo, composta por 35 produtos básicos, apresentou uma alta de 2,16%, elevando o preço médio para R$ 854,91. No acumulado do ano, a alta chega a 6,82%. Os produtos que mais pressionaram os preços incluem o feijão, que teve um aumento de 6,44% em maio e 41,09% no acumulado do ano. O arroz e o leite também contribuíram para essa tendência, com altas de 2,16% e 0,77%, respectivamente.

Os vegetais tiveram aumentos expressivos, destacando-se a batata com 44,69%, o tomate com 20,62% e a cebola com 16,80%. Olhando para o ano como um todo, esses aumentos se agravam, alcançando percentuais de 75,84%, 86,17% e 48,88%, respectivamente. Essa situação é particularmente grave no Nordeste, onde a cesta básica teve uma alta de 2,79%, sendo a região com o preço médio mais baixo, enquanto o Norte apresentou o maior custo, com R$ 939,79.

Apesar da inflação, o consumo das famílias brasileiras continua mostrando um crescimento positivo. Em comparação com o ano anterior, maio de 2026 apresentou um aumento de 3,93% no consumo, impulsionado por uma crescente renda familiar e fatores sazonais, como o Dia das Mães, que trouxe um aumento significativo no consumo.

Além disso, fatores como o pagamento de restituições do Imposto de Renda e a antecipação do 13º salário contribuíram para aumentar a renda de muitas famílias, influenciando as escolhas de consumo.

Em um cenário de juros elevados, a previsibilidade da renda pode ajudar a estabilizar o abastecimento das famílias. Mesmo que os preços estejam em alta, a renda disponível desempenha um papel fundamental em manter o consumo em um patamar crescente, com a expectativa de um crescimento de 3,2% até o final de 2026.

Portanto, a combinação de conflitos globais, fenômenos climáticos e condições econômicas internas formam um quadro desafiador para o mercado de alimentos, que ainda buscará se equilibrar em meio a essas variáveis turbulentas.