O streamer GH Rell RJ, que foi acusado de homofobia pelo ator João Victor Gonçalves, conhecido por seu papel como Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, se desculpou pelo incidente em um vídeo postado em suas redes sociais.
No vídeo, GH revelou que recebeu uma enxurrada de mensagens de ódio e, por isso, decidiu limitar os comentários em seu Instagram. Ele negou as acusações, afirmando que “respeita todos e todas na internet”.
Em sua defesa, GH mencionou que se inspirou no criador de conteúdo “Rafando”, reconhecido por seus vídeos de humor, durante a abordagem a João Victor na saída do Rock In Rio.
Durante a interação, GH disparou comentários irônicos, como: “Car, o que é isso? Cara horroroso. Cara meteu um tomate”. Além disso, ele repetiu: “Car, fiel, o que é isso, fiel?”. A situação foi transmitida ao vivo pela plataforma de streaming “Kick” e rapidamente se espalhou nas redes sociais, gerando uma onda de críticas sobre a forma como o ator foi tratado.
Após a repercussão, João Victor compartilhou um vídeo em que demonstrou emoções ao falar sobre a experiência, a qual chamou de homofobia. “Somos mais fortes que qualquer coisa… Impunes não vão ficar, homofobia é crime. Isso é um retrato. Meu medo de ser roubado era maior. Homofobia não é entretenimento”, foi o que expressou em uma de suas postagens.
O incidente e suas consequências
O fatídico episódio, donde GH aborda João Victor, acabou se tornando um tema muito discutido, não apenas nas redes sociais, mas também entre profissionais da atuação e a política. O ator, em seus comentários sobre o que ocorreu, relatou que inicialmente não percebeu a gravidade da situação devido ao medo de ser assaltado.
A abordagem feita por GH não passou despercebida, resultando em apoio significativo para João Victor. O colega de elenco, Pedro Alves, que é Fernando na mesma novela, expressou sua indignação através de uma mensagem: “Aquilo foi baixo, covarde e cruel. Aquilo não é brincadeira. Só quem sofre pode entender. Vergonha de ver que falhamos como sociedade”.
A deputada federal Erika Hilton também se manifestou, afirmando que acionará o Ministério Público contra o streamer e a plataforma Kick. Em suas palavras: “Gravar uma pessoa na rua, sem mais nem menos, submetê-la ao deboche e ofensas de teor homofóbico e transmitir tudo isso ao vivo não é entretenimento. Queremos responsabilização, queremos multa e queremos que todo o dinheiro vá para políticas públicas de proteção a pessoas LGBTQIA+ e de combate aos crimes de ódio.”
Quem é GH Rell RJ?
GH Rell RJ é um streamer que produz conteúdos de IRL (In Real Life), mostrando o cotidiano em tempo real. No Kick, uma plataforma concorrente da Twitch, ele publica nas redes sociais seus vídeos intitulados “Marolando nas ruas do Rio de Janeiro”, onde aparece em diversos locais, desde o transporte público até bares, conversando com espectadores e abordando pessoas pelo caminho.
A transmissão ao vivo onde GH interpelou João Victor não foi salva e, portanto, não está disponível no perfil dele. Essa falta de registro contribuiu para a amplificação das discussões sobre o evento.
Embora GH tenha tentado se justificar, a controvérsia gerada pelas suas palavras e ações levantou questões mais profundas sobre como o conteúdo de humor deve ser administrado, especialmente quando envolve indivíduos que podem ser vulneráveis à hostilidade e ao assédio.
Reflexões sobre o humor e a responsabilidade
É imperativo considerar as linhas tênues entre humor e ofensa. O incidente entre GH Rell RJ e João Victor Gonçalves evocou diálogos importantes sobre as práticas comuns em interações ao vivo e a representação das comunidades LGBTQIA+. Apesar das intenções de um criador de conteúdo, o impacto de suas palavras pode ser danoso, perpetuando atitudes cada vez mais discriminatórias.
A fala de João Victor ressoou como um apelo por empatia e apoio, sublinhando a importância de reconhecer a fragilidade do espaço que os indivíduos LGBTQIA+ ocupam em contextos públicos e na mídia. A partir dessas interações, fica evidente que cada um tem um papel na criação de um ambiente mais respeitoso e inclusivo.
Esse episódio deve servir de alerta tanto para criadores de conteúdo quanto para espectadores. A responsabilidade nas plataformas digitais não deve ser subestimada, e o humor deve ser pautado no respeito, não apenas na comédia. Ao reconhecer as experiências e vulnerabilidades dos outros, podemos começar a moldar um futuro mais acolhedor.


