A alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera voltou a exibir recordes históricos em 2025. O alerta foi divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU. A situação apresenta um quadro crítico em relação ao aquecimento global.
Segundo o 22º Boletim de Gases de Efeito Estufa, o acúmulo de poluição atmosférica assegura a manutenção do aquecimento por décadas, e até séculos. Os dados mostram que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados na história.
Recorde de CO₂
O dióxido de carbono (CO₂), principal gás estufa de origem humana, é responsável por aproximadamente 66% do efeito de aquecimento prolongado. Em 2025, a média global alcançou 426,8 ppm (partes por milhão) na superfície. Isso representa 153% dos níveis pré-industriais, em comparação com 278,3 ppm antes de 1750.
A taxa de crescimento do CO₂ aumentou de forma alarmante nas últimas décadas, triplicando desde os anos 1960. Entre 2024 e 2025, a elevação foi de 2,8 ppm. Embora esse número tenha sido inferior ao salto de 3,6 ppm entre 2023 e 2024, ainda permanece acima da média anual dos últimos dez anos, de 2,63 ppm por ano.
A cientista sênior da OMM, Oskana Tarasova, observou que a desaceleração em 2025 reflete a recuperação dos sumidouros terrestres de carbono e a diminuição das queimadas após a fraqueza do fenômeno El Niño. No entanto, a adição de 2,8 ppm é considerável e provém principal e diretamente da queima de combustíveis fósseis.
Gases de Efeito Estufa em Ascensão
Além do CO₂, os dois outros principais gases de efeito estufa gerados por atividades humanas também registraram níveis alarmantes em 2025. O metano (CH₄) atingiu 1.948 partes por bilhão (ppb), equivalente a 267% do nível pré-industrial. O metano responde por cerca de 16% do forçamento radiativo, com aproximadamente 65% de suas emissões oriundas de fontes antrópicas como pecuária e cultivo de arroz, enquanto 35% são de fontes naturais.
Análises isotópicas indicaram que os incêndios florestais na América do Norte e na Amazônia entre 2023 e 2024 afetaram significativamente os níveis de metano. O óxido nitroso (N₂O), por sua vez, alcançou 339,1 ppb, o que representa 126% do nível pré-industrial e é responsável por 6% do efeito de aquecimento global, sendo 35% das emissões atribuídas à ação humana, especialmente através de fertilizantes.
Conforme o índice Anual de Gases de Efeito Estufa (AGGI) da NOAA, o efeito de aquecimento acumulado por todos os gases de longa duração cresceu 56% entre 1990 e 2025, com o CO₂ provocando 81% deste aumento.
Gases de Transição Energética
O relatório da OMM também alerta sobre dois gases diretamente ligados à infraestrutura energética. O hexafluoreto de enxofre (SF₆), utilizado como isolante em equipamentos elétricos de alta voltagem, atingiu o maior aumento anual da história, com 12,24 ppt, representando um incremento de 249% em três décadas. O SF₆ possui o maior potencial de aquecimento global ao longo de 100 anos e uma vida útil que ultrapassa 1.000 anos na atmosfera.
O hidrogênio (H₂), apesar de não ser um gás de efeito estufa direto, interfere na química atmosférica e prolonga a vida do metano. Sua concentração aumentou 5,3% entre 2010 e 2024 (de 532 ppb a 560 ppb). A OMM enfatiza que vazamentos durante o transporte e armazenamento de hidrogênio podem comprometer os ganhos climáticos esperados com a transição energética se não forem adequadamente controlados.
