Calor de 40°C após chuvas impacta qualidade e preço de alimentos frescos

Calor de 40°C após chuvas impacta qualidade e preço de alimentos frescos

Após intensas chuvas nas áreas agrícolas do Brasil, o calor intenso se faz presente neste fim de semana, impactando o cultivo, especialmente da soja, que está prestes a ser semeado. A elevação das temperaturas, principalmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, traz preocupações para os agricultores, já que o calor prolongado pode prejudicar o início da semeadura e afetar o desenvolvimento de culturas de ciclo curto, como frutas e hortaliças.

De acordo com um boletim do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), diversas localidades registrarão temperaturas superiores a 40°C. Embora isso não configure uma onda de calor, o aumento de calor até a próxima terça-feira (29) é um alerta para os pecuaristas e safreiros que têm gado em pasto.

Segundo informações do Inmet, os estados mais afetados incluem Mato Grosso, Goiás e Piauí. Um aviso vermelho para ondas de calor foi emitido, sinalizando riscos para as produções nas regiões afetadas.

Impactos das Chuvas e do El Niño

Marco Antonio, sócio-fundador da Rural Clima, destaca que estes eventos climáticos podem se intensificar nas próximas semanas com a influência do El Niño, que já está ativo no mundo. Segundo ele, dois fatores principais afetam o setor: o excesso de chuvas e as consequências do El Niño.

“As chuvas nas regiões do Sul prejudicaram bastante o setor hortifruti, e o fenômeno El Niño está trazendo chuvas mais precoces para essas áreas”, explica o especialista. Essas condições climáticas adversas aumentam os riscos tanto para a qualidade quanto para a quantidade das colheitas.

Os impactos são notoriedade nas principais regiões produtoras de hortaliças e frutas, resultando em desafios significativos para os produtores agrícolas, que podem ver seus custos aumentarem, refletindo no consumidor final.

Efeitos do Calor nas Lavrouras

O chamado estresse térmico se torna um desafio nas lavouras quando as temperaturas ultrapassam os limites suportáveis pelas plantas. Isso pode comprometer o crescimento adequado e a formação de frutos. Os danos podem variar de acordo com a espécie e a fase de desenvolvimento da planta ao longo do tempo.

Com a umidade excessiva, as chuvas não eliminam os riscos de doenças e podridões, especialmente em culturas sensíveis. A Embrapa indica que períodos quentes e chuvosos podem causar queda de flores e perda de frutos em formação, prejudicando a qualidade das hortaliças disponíveis no mercado.

A alface, por exemplo, é uma cultura que demanda atenção especial, pois temperaturas elevadas podem acelerar seu florescimento, resultando em prejuízos comerciais. No tomate, temperaturas escalando acima de 40°C comprometem a produção de pólen, essencial para a formação dos frutos.

Redução da Qualidade e Preços

Frutas também podem ser severamente impactadas. No caso da melancia, um excesso de chuvas na fase de maturação pode resultar em produtos menos competitivos após a colheita. Essa dinâmica gera um cenário complicado, com oferta reduzida, apesar de uma possível acumulação de volume durante períodos favoráveis.

Entretanto, essa relação entre calor e preços não é linear. O calor pode, de fato, acelerar o amadurecimento inicial e aumentar temporariamente a oferta, como demonstram estudos do Hortifruti/Cepea sobre o tomate. Contudo, se perdas subsequentes ocorrerem, pode haver uma inversão na pressão sobre os preços.

Marco Antonio observa que a situação se tornará mais crítica em novembro, quando o El Niño alcançará seu pico de intensidade. Até setembro, o excesso de chuvas já havia prejudicado a cana-de-açúcar e afetado a colheita de grãos, como o milho e a soja nas safras futuras, levantando preocupações dentro do setor agrícola.

É crucial que os produtores permaneçam atentos a essas variações climáticas e planejem adequadamente suas cultivares para minimizar os impactos que as oscilações da temperatura e as condições climáticas extremas podem trazer para a agricultura.