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De Humaitá a Manacapuru: o que as obras e viagens de balsa revelam sobre a energia no interior do Amazonas

Homem rema canoa em área de floresta alagada no rio Juruá

Comunidade ribeirinha no rio Juruá | Foto: Sayori Minato (CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons)

Para entender como funciona a distribuição de energia no Amazonas, vale olhar para algumas cidades do interior. Humaitá, Manacapuru, Parintins e os municípios das calhas do Juruá e do Japurá mostram, cada um, uma peça do quebra-cabeça que a Âmbar Energia tenta montar desde que assumiu a concessão, em abril de 2026.

A empresa substituiu a Amazonas Energia, cuja gestão sob Orsine Rufino de Oliveira deixou índices desastrosos de qualidade de serviço, e tem pela frente um Estado de mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, onde muitos lugares só são alcançados de barco.

Juruá e Japurá: a viagem antes da seca

Em 30 de maio, uma balsa saiu de Manaus carregada de material elétrico para os municípios das calhas dos rios Juruá e Japurá. A viagem fez parte da Operação Vazante, iniciada em maio, antes do auge da estiagem, quando a navegação fica mais difícil e alguns portos deixam de ser acessíveis.

Ao todo, segundo a empresa, foram mais de 15 viagens de balsas e ferry boats, levando cerca de 1.350 toneladas de postes, transformadores, cabos, cruzetas e peças aos 61 municípios e às nove calhas de rios do Estado. Equipes monitoram o nível dos rios todos os dias, e a operação foi alinhada com a Defesa Civil do Amazonas. Centenas de trabalhadores participam do esforço.

Humaitá: reforço da rede

No sul do Estado, às margens do rio Madeira, Humaitá tem um plano acompanhado pela Defensoria Pública. Ele prevê a troca de 39 postes e 262 cruzetas, o reforço de 34 quilômetros de rede, a limpeza da vegetação próxima à fiação e mais pessoal para o atendimento rural. São obras simples, mas essenciais onde chegar ao ponto da falha leva tempo.

Manacapuru: geração no horário de pico

Na região metropolitana de Manaus, Manacapuru recebeu uma termelétrica de 5 MW para reforçar o fornecimento no pico de consumo. Segundo a Âmbar, a usina deu margem de segurança para o período entre 18h e 23h, quando cerca de 10% da população poderia enfrentar interrupções diárias. A usina perto da carga não elimina todos os riscos, mas reduz a dependência de um único caminho de fornecimento.

Parintins: o efeito da interligação

Parintins mostra o que uma obra de transmissão pode fazer. Conectada ao Sistema Interligado Nacional em 2023, a cidade pôde desativar a usina térmica a diesel que a abastecia. Muitos municípios, porém, seguem fora do sistema e dependem de usinas locais e do combustível que chega pelos rios.

Anamã, Anori, Caapiranga e Codajás

Nessas cidades ficam usinas termelétricas dos sistemas isolados que a Âmbar comprou da Eletrobras em 2024, antes mesmo de assumir a distribuição. A empresa também planeja sistemas híbridos, com térmica, energia solar e baterias, para 23 comunidades.

Prefeituras na mesa

A concessionária diz ter se reunido com 38 prefeitos e assinado 20 acordos com municípios. A conversa ajuda a mapear problemas de cada cidade e a organizar materiais e equipes com antecedência.

O plano para todo o Estado

Somadas, essas frentes integram um programa de R$ 5,5 bilhões até 2031, sendo R$ 3,9 bilhões de recursos próprios, com expansão e revitalização da rede, subestações, retomada do Luz para Todos, troca de equipamentos e tecnologias da Energia 4.0, como medidores inteligentes e sensores para localizar falhas à distância.

A tecnologia também deve ajudar a reduzir as perdas não técnicas, que a Âmbar estima em cerca de 44% da energia injetada, principalmente por desvios e ligações clandestinas. O número é da própria empresa e não se confunde automaticamente com os indicadores regulatórios de perdas da ANEEL.

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