Etanol lidera queda de preços de combustíveis em maio de 2023

Etanol lidera queda de preços de combustíveis em maio de 2023

O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil tem promovido mudanças significativas no mercado de combustíveis, especialmente no etanol. Em maio, a oferta ampliada do biocombustível resultou em quedas acentuadas nos preços nas bombas, sinalizando um alívio para os consumidores. De acordo com dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, com suporte da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o etanol hidratado viu um recuo de 5,6%, a maior baixa entre todos os combustíveis monitorados.

O preço médio nacional do etanol caiu para R$ 4,488 por litro, refletindo um movimento de acomodação após as altas acentuadas nos meses de março e abril. Essa retração é um indicativo claro da movimentação no mercado em consequência da maior moagem de cana na principal região produtora do país, o que aumentou significativamente a disponibilidade do combustível.

Queda nos Preços e Competitividade do Etanol

A queda nos preços do etanol é uma boa notícia para os motoristas brasileiros, especialmente em tempos de incertezas econômicas. O levantamento aponta que, embora o etanol tenha registrado um recuo considerável, ainda está sendo favorecido em termos de competitividade em comparação com a gasolina. A ampliação da oferta de etanol fortalece sua posição no mercado frente aos combustíveis fósseis, especialmente na região Centro-Sul.

Entre os estados, o Distrito Federal se destacou com a maior queda de preços, reduzindo o valor médio em 10%, atingindo R$ 4,528 por litro. Outros estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso também apresentaram quedas relevantes, variando de -4,9% a -7,2%. Em São Paulo, o principal mercado consumidor, o preço médio do etanol foi de R$ 4,20 por litro ao final de maio.

Impacto Geral nos Combustíveis e o Cenário Econômico

Além da redução no preço do etanol, os preços do diesel também mostraram uma leve queda de 3,3% em relação ao mês anterior. A gasolina comum e aditivada apresentaram uma diminuição de 1%, mas o gás natural veicular (GNV) foi a exceção, registrando um aumento. Esses dados indicam um panorama misto no segmento de combustíveis, com algumas categorias apresentando queda, enquanto outras continuam a sofrer aumentos.

A pressão dos combustíveis fósseis ainda se mantém no caso do diesel S-10, que acumulou um aumento de 16,8% desde o início do ano. A gasolina comum também não ficou imune, com um acréscimo de 7,5%. Mesmo com a leve alta do etanol de 0,3% nos primeiros cinco meses de 2026, a tendência geral é de aumento nos preços dos combustíveis fósseis devido ao cenário internacional.

Indicadores de Poder de Compra do Consumidor

Apesar do momento desafiador, dados do primeiro trimestre de 2026 indicam uma melhora no poder de compra do consumidor brasileiro. O custo para abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum ficou, em média, 5,5% da renda domiciliar das famílias, o que representa o menor percentual desde o início da série histórica em 2017. Nas capitais, esse valor foi de 3,7%. No entanto, ainda existem disparidades regionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o peso do abastecimento no orçamento das famílias é mais acentuado.

Esses resultados apontam que, embora haja uma queda no preço do etanol, as complexidades do mercado energético global ainda influenciam os combustíveis fósseis, afetando o bolso dos consumidores. André Turquetto, CEO da Veloe, reforça que o cenário internacional continua sendo um fator crucial na formação de preços no Brasil, e que maio foi um mês chave para a acomodação dos valores, especialmente do etanol.

Portanto, a safra de cana-de-açúcar no Brasil não apenas promoveu uma maior oferta de etanol e, consequentemente, a redução dos preços, mas também traz à tona a importância da competitividade do biocombustível em um mercado pressionado por fatores externos. A avaliação contínua desses indicadores é essencial para entender as dinâmicas de preços e seu impacto no poder de compra do consumidor brasileiro.