O aumento de recuperações judiciais no Brasil tem gerado grande preocupação no mercado, principalmente em um cenário de altos juros. As empresas estão buscando formas de reorganizar suas dívidas para preservar suas atividades em um contexto econômico desafiador.
A recuperação judicial, assim como a extrajudicial, é um mecanismo fundamental que auxilia empresas em dificuldades financeiras a tentar renegociar suas obrigações e garantir a continuidade dos negócios. Contudo, esse processo pode envolver custos e efeitos colaterais negativos.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca a importância da recuperação extrajudicial, que permite à empresa ter um prazo de 90 dias sem pagar juros e amortização. Porém, a quebra de credibilidade junto aos credores e consumidores pode ser um ponto negativo desse recurso.
O aumento nos pedidos de recuperação judicial, especialmente nos últimos trimestres, chama a atenção dos especialistas. Bernardo Pascowitch, apresentador do programa Resenha do Dinheiro, afirma que “a economia brasileira está na UTI”, e as falências e recuperações estão se tornando cada vez mais frequentes.
Segundo o Monitor de Recuperação Judicial da RGF, o número de recuperações judiciais passou de 3.823 no segundo trimestre de 2023 para 5.680 até o primeiro trimestre de 2026, evidenciando a gravidade da situação.
É importante notar que esse número não representa todas as empresas com dificuldades financeiras, uma vez que não inclui recuperações extrajudiciais ou falências. A legislação brasileira também ampliou a possibilidade de recuperação judicial para produtores rurais, que agora têm diretrizes específicas publicadas em 2026 pelo Conselho Nacional de Justiça.
Marilia enfatiza que, embora os juros elevados não tornem automaticamente empresas saudáveis em problemas, eles aumentam os custos associados ao financiamento e à rolagem das dívidas. A deterioração do crédito provoca um efeito de contágio, onde a incerteza em relação a uma empresa pode afetar o setor como um todo.
Thiago Godoy, educador financeiro, complementa afirmando que o endividamento excessivo em um cenário de crédito barato pode deixar as empresas vulneráveis quando as condições financeiras mudam. Ele alerta que empresas alavancadas, esperando que os juros permaneçam favoráveis, estão se expondo a riscos significativos.
Cuidado com os investimentos em crédito privado
O aumento dos pedidos de recuperação judicial traz uma nova perspectiva para investidores em crédito privado. Este mercado envolve empréstimos diretos ou indiretos a empresas e instituições financeiras, e é fundamental que os investidores avaliem os riscos envolvidos.
Marilia Fontes alerta que é essencial considerar o risco junto à remuneração oferecida pelos investimentos em crédito privado. Isso vale para uma variedade de títulos, como CDBs, LCIs, LCAs, e para produtos como CRIs, CRAs e debêntures que envolvem empresas.
A análises de risco e retorno são primordiais. Alguns investimentos podem não estar oferecendo uma remuneração que corresponde ao nível de risco que o investidor corre, razão pela qual a prudência é necessária ao financiar empresas com maior alavancagem.
As discussões sobre recuperação judicial e suas implicações financeiras são abordadas no programa Resenha do Dinheiro, que traz uma análise descomplicada sobre educação financeira e investimentos. Apresentado por Bernardo Pascowitch e outros especialistas, o programa vai ao ar semanalmente, dedicando-se a temas relevantes da economia.
O Resenha do Dinheiro está disponível no canal do CNN Money no YouTube e também na CNN Brasil, trazendo conhecimento em um formato acessível e informativo para o público interessado em finanças.
