A Yara, fabricante norueguesa de fertilizantes, enfrentou desafios financeiros no terceiro trimestre de 2026, reportando um lucro líquido de US$ 199 milhões. Essa cifra representa uma queda de 37,8% em comparação ao lucro de US$ 320 milhões registrado no mesmo período do ano passado. Os resultados financeiros foram fortemente impactados por aumentos significativos nos custos do gás natural na Europa, além de uma diminuição nas entregas de fertilizantes.
Apesar da diminuição do lucro, a receita líquida da empresa subiu 9,3%, alcançando US$ 4,48 bilhões. O Ebitda, que representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, registrou uma redução de 9,5%, passando de US$ 770 milhões para US$ 697 milhões. Essa queda é atribuída, segundo a empresa, ao aumento dos custos do gás e à redução do volume de entregas, que sobrepujou os efeitos positivos da alta nos preços do nitrogênio.
No acumulado de janeiro a setembro, a Yara observar um aumento no lucro líquido para US$ 1,07 bilhão, o que representa uma alta de 3,9% em relação aos US$ 1,03 bilhão do mesmo período do ano anterior. A receita totalizou US$ 13,16 bilhões, refletindo um crescimento de 12,5%, enquanto o Ebitda acumulado cresceu 34,3%, totalizando US$ 2,66 bilhões.
Análise das Entregas e Produção
A Yara viu uma redução de suas entregas globais de fertilizantes, que caíram 3,3% no terceiro trimestre, de 6 milhões de toneladas para 5,8 milhões de toneladas. No total dos nove primeiros meses do ano, o volume de entregas diminuiu 6,1%, de 18 milhões para 16,9 milhões de toneladas. A produção também foi afetada, com uma queda de 7,7% no terceiro trimestre, totalizando 4,89 milhões de toneladas, enquanto, entre janeiro e setembro, foram produzidas 15,08 milhões de toneladas.
No Brasil, as entregas somaram 1,84 milhão de toneladas no terceiro trimestre, uma redução de 3,7% em comparação ao mesmo período anterior. Ao longo do ano, o volume atingiu 4,22 milhões de toneladas, diminuindo em 1,4%. A produção de fertilizantes NPK, que são amplamente utilizados na agricultura, caiu 9,4% no trimestre, de 1,75 milhão para 1,585 milhão de toneladas, e recuou 4,1% nos acumulados de janeiro a setembro, chegando a 4,63 milhões de toneladas.
Contrapõe-se a esse cenário a produção de SSP (superfosfato simples), que aumentou significativamente. O volume de produção cresceu 45,8%, passando de 24 mil toneladas no terceiro trimestre de 2025 para 35 mil toneladas neste ano; no acumulado, a produção saltou de 94 mil para 157 mil toneladas, um aumento de 67%. No que diz respeito à amônia, a produção sofreu uma diminuição de 19,3% no terceiro trimestre, totalizando 1,51 milhão de toneladas.
Impacto Financeiro e Margens
No contexto financeiro, a Yara também registrou perdas cambiais líquidas de US$ 64 milhões neste trimestre, uma significativa diferença em relação ao ganho de US$ 14 milhões de um ano atrás. A valorização da coroa norueguesa frente ao euro gerou perdas em posições de financiamento interno, que foram parcialmente mitigadas por ganhos relacionados à dívida em dólares.
O Ebitda das operações nas Américas, excluindo itens especiais, totalizou US$ 155 milhões no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 38% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa redução é atribuída às margens comerciais menores no Brasil, além da diminuição no volume das entregas, que declinaram em 5% na comparação anual. A manutenção programada em Belle Plaine, no Canadá, também contribuiu para a queda.
No acumulado dos primeiros nove meses, o Ebitda das Américas foi de US$ 593 milhões, uma diminuição de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. As margens comerciais que se deterioraram no Brasil, combinadas com as manutenções no Canadá, superaram ganhos observados no primeiro semestre. Também foram identificadas paradas programadas de manutenção nas Américas, África e Ásia, impactando as entregas globais, embora a Yara relatasse uma recuperação nas entregas na Europa no final do trimestre.
Custos e Perspectivas Futuras
A Yara confirmou que está diminuindo sua produção na Europa devido aos altos custos do gás natural. Durante o terceiro trimestre, a empresa restringiu a produção em 150 mil toneladas de amônia e 115 mil de produtos acabados. Em 16 de outubro, os cortes de produção se elevaram para 270 mil toneladas de amônia por trimestre. A flexibilidade em sua estrutura produtiva permite que a empresa ajuste volumes conforme os custos e margens de cada produto.
O mercado internacional de fertilizantes nitrogenados iniciou a nova temporada de maneira lenta. As incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e algumas questões sobre exportações e importações influenciaram a hesitação dos compradores. Entretanto, a Yara observou um aumento nas compras na Europa no final do trimestre e encerrou o período com uma carteira de pedidos acima do esperado.
A companhia estima que os custos com gás natural, considerando volumes equivalentes ao ano anterior, podem aumentar US$ 450 milhões no quarto trimestre de 2026 e US$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2027. Para enfrentar os desafios financeiros, a Yara mantém um programa de melhoria, visando acrescer US$ 200 milhões ao Ebitda até o fim de 2027 e mais US$ 150 milhões até 2030. Além disso, a Yara anunciou em julho a aquisição de uma fábrica de amônia na Costa do Golfo dos Estados Unidos para diversificar sua exposição aos custos de energia e expandir sua capacidade produtiva competitiva.