O renomado autor Benedito Ruy Barbosa faleceu aos 95 anos, sendo amplamente lembrado por suas obras como “Pantanal” (1990) pela TV Manchete. Ele enfrentava problemas de insuficiência renal crônica, e a notícia de seu falecimento foi divulgada pelo HCor (Hospital do Coração), onde estava internado.
Além de “Pantanal”, Benedito também se destacou por suas obras de temática rural, como as versões originais de “Renascer” (1993). Outras novelas clássicas, como “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999), também são marcos de sua carreira na TV Globo.
Nos últimos anos, Ruy Barbosa se afastou da escrita, mas deixou um legado significativo para suas filhas Edmara e Edilene Barbosa, além de seu neto Bruno Luperi, que continuam atuando na dramaturgia.
Infância no campo
Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, no interior de São Paulo. Sendo o mais velho de cinco irmãos, sua infância foi marcada pela vida no campo, principalmente na cidade vizinha de Vera Cruz, onde se relacionou com imigrantes japoneses e italianos. As lembranças destas experiências estão refletidas na narrativa de “O Rei do Gado”.
Seu pai, Otávio Barbosa, fundou e editou o jornal “A Voz de Vera Cruz”, até falecer em 1942, o que impactou profundamente a vida de Benedito, que teve que trabalhar ainda jovem para ajudar sua mãe, Aurora Medeiros Barbosa. Ele encontrou um emprego como auxiliar de guarda-livros.
Benedito decidiu mudar-se para São Paulo em busca de melhores oportunidades. Lá, trabalhou durante o dia e estudou à noite, visando sempre um futuro melhor. Após algum tempo, conseguiu trazer sua família para a capital, onde residiram no bairro do Bom Retiro. Para complementar a renda, ele também trabalhou como vendedor de verduras em feiras e faxineiro.
Início da carreira
Com um bom domínio em contabilidade, Benedito conseguiu um emprego no Banco de Boston, mas optou por retornar ao Paraná, onde se inspirou para escrever seu primeiro romance, “Fogo Frio”. Essa obra se transformou em peça teatral graças ao convite de Oduvaldo Viana Filho, em 1959. Ele descreveu a influência de um evento climático que devastou os cafezais, o que inspirou a trama de “Fogo Frio”.
As primeiras novelas de Benedito Ruy Barbosa surgiram na década de 1960, com “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo”, ambas exibidas pela extinta TV Tupi. Sua chegada à TV Globo ocorreu em 1971, com “Meu Pedacinho de Chão”, que refletia sua vivência nas áreas rurais e que, mesmo sob a censura militar, manteve sua essência através de algumas negociadas com a produção.
Contudo, foi em 1976 que Benedito consolidou sua carreira na Globo com “O Feijão e o Sonho”, seguido por “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979). Muitas de suas novelas abordaram a vida rural e traziam fortes elementos de romance, como em “Terra Nostra” (1999), que se destacou pelas histórias de amor e a cultura imigrante.
Antes de se tornar um autor consagrado, Ruy Barbosa trabalhou como repórter e revisor em jornais como “O Estado de S. Paulo”. Seu talento também se estendeu à publicidade, onde atuou como redator na Radial Propaganda.
Legado e remakes
As obras de Benedito Ruy Barbosa continuam a ressoar com grande sucesso na televisão, tendo muitas delas sido refeitas na TV Globo ao longo dos anos. O primeiro remake foi de “Cabocla”, em 2004, seguido por “Paraíso”, adaptada em 2009.
“Pantanal”, que teve enorme sucesso nos anos 90, ganhou novo remake em 2022, sob a direção de seu neto Bruno Luperi, incluindo atores da versão original como Marcos Palmeira. Outra obra famosa, “Renascer”, também terá sua versão atualizada em 2024, novamente estrelado por Palmeira. Esta continuidade da obra de Benedito demonstra o impacto que suas histórias têm na cultura brasileira.
Ruy Barbosa sempre se preocupou em garantir que suas novelas contassem com tramas bem delineadas e enredos interessantes, baseados na vida real. Ele afirmava que uma novela verdadeiramente envolvente deveria incluir um grande romance, algo que permeou toda sua obra.
A memória de Benedito Ruy Barbosa permanecerá viva nas telas e corações dos brasileiros, com suas histórias marcantes e sensibilidade única. A sua contribuição para o cenário da dramaturgia nacional é inegável e continuará a influenciar novas gerações de roteiristas e escritores.


