Regina Casé explica por que filha demorou para ser atriz: capacitismo

Regina Casé explica por que filha demorou para ser atriz: capacitismo

A apresentadora Regina Casé, 72, compartilhou em uma recente entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem” as nuances da carreira de sua filha, Benedita Casé, 36, que levou tempo para se concretizar como atriz. A relação entre mãe e filha, marcada por reflexões sobre inclusão e ativismo, revelou aspectos importantes sobre autoaceitação e as barreiras que ainda existem na sociedade.

A Demora na Carreira de Benedita Casé

Regina analisou o percurso da filha, sugerindo que as dificuldades encontradas foram influenciadas por questões de capacitismo que afetaram tanto a trajetória de Benedita quanto a percepção de Regina. “Eu nunca tinha prestado atenção. Se você tiver um filho preto e uma filha PCD, por mais que você estude e tenha letramento, você vê as grandes questões, as sutilezas,” comentou. Esta reflexão traz à tona a importância de reconhecer as nuances que envolvem a vida de pessoas com deficiência, especialmente em um meio repleto de estereótipos.

Segundo Regina, Benedita tornou-se uma importante ativista anticapacitista. Ela explicou que a filha não havia considerado seguir a carreira de atriz devido ao preconceito, tanto por parte dela mesma quanto da sociedade. “Benedita se tornou uma ativista anticapacitista muito interessante. Ela não tinha pensado em ser atriz por capacitismo meu e dela”, afirmou. A defesa e o ativismo de Benedita mostram uma quebra de barreiras em um cenário muitas vezes excludente.

A Influência da Deficiência Auditiva

Com deficiência auditiva, Benedita enfrentou desafios desde cedo, após uma grande perda auditiva devido a um medicamento. Regina enfatizou que a surdez de Benedita pode ter proporcionado uma percepção mais aguçada. “Talvez a surdez tenha contribuído. Como faz leitura labial, está o tempo todo olhando na cara da pessoa e prestando atenção,” explicou Regina. Essa habilidade única de observar o mundo ao seu redor é uma qualidade que a mãe vislumbrou como um potencial para a atuação.

Regina comentou sobre como essa intensidade na percepção da filha a levou a acreditar que Benedita deveria seguir carreiras que exigissem uma empatia profunda, como a psicanálise ou a cura espiritual. No entanto, a atuação revelou-se como mais do que um simples desejo, sendo uma extensão de suas experiências e vivências, refletindo suas lutas e conquistas pessoais.

Reconhecimento pelo Talento de Benedita

A mãe orgulhosa não hesitou ao falar sobre o impacto que Benedita está tendo na indústria do entretenimento. Ao assistir ao filme “90 decibéis”, Regina comentou que parecia que era o trigésimo filme da filha, tamanha a sua entrega e talento. O reconhecimento, inclusive, veio de grandes nomes do cinema. Fernanda Montenegro enviou uma mensagem elogiando a performance de Benedita, o que reforça a crescente visibilidade e apreciação que sua arte tem conquistado.

“[Fernanda] disse: ‘Regina, minha amiga, não consigo dormir’. E disse a mesma frase que falei sobre Benedita, que parecia que ela já tinha feito vários filmes,” finalizou Regina, ressaltando a excelência e a força da filha na atuação.

Esses depoimentos revelam uma jornada inspiradora, que vai além da superação de barreiras. O caminho de Benedita e Regina não é apenas uma história de figuras públicas, mas um reflexo das lutas diárias enfrentadas por muitos na sociedade, tornando-se um modelo para aqueles que buscam seu espaço em um mundo repleto de desafios.

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