Tamara Klink pede para não comprarem seu livro pessoalmente

Tamara Klink pede para não comprarem seu livro pessoalmente

A velejadora Tamara Klink está gerando muitas discussões na internet após seu apelo para que as pessoas parem de comprar o seu livro, “Bom Dia, Inverno”. Desde sua publicação pela Companhia das Letras, a obra se destacou e se tornou um dos livros mais vendidos no Brasil desde junho.

Em suas redes sociais, a navegadora de 29 anos compartilhou um apelo especial: que seus seguidores fizessem o livro circular de outras maneiras, como através de empréstimos, doações ou disponibilizando-o em bibliotecas.

“Não comprem mais esse livro, ‘Bom Dia, Inverno’. Ele está na lista dos mais vendidos do Brasil há três meses e, nesta altura, preciso ser coerente. Já existem muitos livros ‘Bom Dia, Inverno’ circulando pelo Brasil todo. Se puderem, tenham acesso a uma biblioteca, compartilhem com a família, colegas ou pessoas do trabalho. Façam esses livros circularem, é para isso que eles servem”, enfatizou Tamara.

O sentimento de Tamara pode ser resumido em sua reflexão sobre o papel dos livros. “É muito triste na vida de um livro acabar em uma biblioteca só e ser lido apenas uma vez. É uma quantidade enorme de papel e energia da natureza para que esse livro exista. O mais bonito de qualquer livro ou objeto é sua circulação e o cumprimento de sua função pelo máximo de tempo possível, para fazer jus aos recursos do planeta”, completou.

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Quem é Tamara Klink?

Filha do renomado velejador Amyr Klink, Tamara é uma navegadora, escritora e palestrante notável. Desde cedo, seguiu os passos aventureiros do pai e fez história ao se tornar a primeira mulher a passar um inverno sozinha no mar congelado do Ártico, na Groelândia — uma experiência que ela narra em seu livro “Bom Dia, Inverno”.

Além disso, Tamara foi a pessoa mais jovem da América Latina a realizar a travessia da Passagem Noroeste em uma travessia solitária. Entre seus outros feitos inspiradores, ela também completou a travessia do Atlântico em solitário, primeiro da Noruega para o Brasil (2020/21) e, mais recentemente, da França para a Groenlândia (2023).

A importância da circulação de livros

A proposta de Tamara Klink reflete uma visão mais sustentável e consciente sobre a literatura. Ao encorajar a circulação dos livros, ela não apenas promove um acesso mais democrático à leitura, mas também enfatiza a responsabilidade ética em relação ao meio ambiente. Cada livro impresso representa um investimento significativo de recursos naturais, e, portanto, sua utilização contínua se torna uma questão de respeito ao planeta.

Quando um livro é lido apenas uma vez, sua verdadeira prática e influência são limitadas. A mensagem de Tamara oferece uma nova perspectiva, convidando os leitores a reconsiderar como interagem com os livros que possuem. A biblioteca, como um espaço de troca e acessibilidade, se destaca como um recurso valioso no fomento à leitura e à educação coletiva. Ao realizar doações ou emprestar exemplares, os leitores podem contribuir para a construção de um cenário cultural mais rico e diversificado.

Caminhos futuros para a literatura

O pedido de Tamara pode servir como um divisor de águas na forma como percebemos o consumo literário. Em um tempo em que o mercado editorial enfrenta desafios, sua abordagem sugere que a literatura não deve ser vista apenas como uma mercadoria, mas como uma ferramenta de transformação social que merece nossa atenção e cuidado.

Portanto, a atitude de Tamara não é apenas um ato pessoal, mas um convite para todos nós a repensar o modo como lidamos com os livros, instigando um modelo mais colaborativo e responsável de consumo. Ao fomentar a leitura e a troca, podemos ampliar nossas experiências e contribuímos ao mesmo tempo para a preservação do meio ambiente e valorização da cultura.