“Vertigem”: descubra a jornada de Lela Brandão pelo vazio

A autora Lela Brandão, em seu livro de estreia “Vertigem”, convida o leitor a refletir sobre tempo, descanso e a coragem de encarar o vazio. Esse convite parece ter sido aceito pelo público, e desde sua semana de lançamento, a obra se tornou uma das mais vendidas do país, ocupando o primeiro lugar na lista Nielsen-PublishNews.

Lela é comunicadora, podcaster e empresária. Como reafirma aos seus ouvintes em seu programa “Gostosas também choram”, “sou apenas eu, Lelinha, não sou psicóloga, nem especialista”, mas decidiu se abrir para o mundo em 240 páginas. “Eu tive medo de as minhas experiências não ressoarem com outras pessoas, e isso me assombrou bastante”, avaliou a autora em entrevista à CNN Brasil.

“Quando eu escrevo, eu estou escrevendo de uma certa realidade, que é a minha. Que é a única que tenho como escrever. Eu não queria causar uma sensação de afastamento, mas de aproximação e conexão”, acrescenta Lela.

E ao se colocar e dividir experiências pessoais, “Vertigem” permeia temas que se tornam íntimos nas palavras de Lela: o descanso encontrado no colo da avó ou um comentário sobre seu corpo na infância. “Falar das próprias experiências pode dar o efeito contrário do que queria, a exposição de uma realidade distinta. Eu lapidei bastante no livro, mas tentei torná-lo o mais propício para a conexão possível.”

Explorando a conexão

Para além da sua própria realidade, Lela é uma curiosa incansável pela vida e pelas ideias de outros autores. No livro, ela apresenta fontes inesgotáveis de cada tema, criando uma teia de relações que conectam doutores, pesquisas e dados ao que parece uma cena banal do cotidiano. “Na minha cabeça funciona assim. Vou conectando todas as referências do mundo. Eu gosto de trabalhar assim, porque meu papel, como eu enxergo, é conduzir um fio de raciocínio embasado com pessoas que são muito mais autoridade do que eu”, explica a empresária.

A metodologia que ela utiliza faz ponte com a sua produção semanal de monólogos para o “Gostosas também choram”. Nos episódios, ela expande, em uma hora, temáticas que convergem e divergem do livro, como sentir fome, ser leve, desejo e ouvir o que seu público tem a dizer. O programa se tornou um dos mais ouvidos no país, ocupando a 10ª posição geral e o 1º em sociedade e cultura.

Desafios e transformações

Lela conta que, durante a escrita do livro, enfrentou o desafio de separar o que iria para o texto do que iria para o podcast, mesmo que seu ponto de partida fosse sempre ela mesma. “Eu morro de medo de ser repetitiva, embora isso seja quase impossível. Durante a escrita, foi desafiador porque estava imersa nos assuntos. Meu desejo era que as pessoas que lessem o livro tivessem a experiência de um primeiro contato com a perspectiva sobre esses assuntos.”

Com uma avalanche de leitoras ávidas para conhecer as histórias de Lela, o caminho para que “Vertigem” chegasse ao público foi diferente, com um convite da editora para que a podcaster se tornasse autora. Se no começo a ideia era um livro que falasse sobre criatividade, como revelou na entrevista, a obra se transformou para abordar até o vazio e tudo o que pode ser aprendido quando tudo se cala.

De qualquer forma, Lela nunca teve o objetivo de criar uma obra de autoajuda ou trazer respostas definitivas. Na publicação, o leitor acaba com mais perguntas, sendo incitado a questionar cada vez mais. “Eu imaginava uma situação: é como quando uma música começa a tocar e você consegue cantar, mesmo que não lembre a letra. Você sabe. Eu queria chegar ao fim do texto e mostrar que o corpo sabe das coisas e é uma experiência que todos têm. Quando cheguei a esse ponto, concluí o livro.”

Uma nova relação com o corpo

Sobre como cada um pode interpretar seu livro, Lela expressa sua expectativa: “Espero que as leitoras refaçam a relação com seus próprios corpos. Que compreendam a dimensão de informação que nosso corpo tem para se comunicar… enquanto ele só está esperando a gente abaixar as armas e escutar para o que ele veio.”

“Vertigem” foi publicado pela editora Intrínseca e pode ser encontrado nas livrarias e em versões digitais.

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