Durante a madrugada desta quinta-feira (28), o Irã atacou uma base aérea americana no Kuwait, conforme relatado pelo CETCOM (Comando Central dos Estados Unidos). Esse ataque se deu após os EUA realizarem uma operação com drones iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz e o presidente americano, Donald Trump, ter rejeitado um aparente acordo com Teerã.
As recentes hostilidades, ainda que limitadas, revelam a fragilidade das negociações sobre a manutenção do cessar-fogo, em vigor desde abril. Essa trégua é fundamental em um momento em que as tensões da guerra, que já ceifou milhares de vidas, aumentam e o fechamento do importante corredor marítimo se torna uma preocupação global.
O Comando Central dos EUA afirmou que as forças americanas conseguiram abater cinco drones iranianos e atacaram uma estação de controle em Bandar Abbas, antes que um sexto drone pudesse ser lançado. As forças do Kuwait também interceptaram um míssil balístico disparado em direção ao seu território, onde uma grande base americana está localizada.
Um oficial americano, que falou em anonimato, descreveu as ações como “calculadas e defensivas”, enfatizando a intenção de manter o cessar-fogo em vigor. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, por sua vez, reivindicou a responsabilidade pelo ataque à base americana e alertou que uma nova agressão resultaria em uma “resposta mais decisiva”.
O Kuwait condenou violentamente o ataque, pedindo ao Irã que interrompa essa escalada de hostilidades. Essa onda de violência coincide com o feriado muçulmano de Eid al-Adha, que ocorre em meio a conflitos que já estavam se intensificando desde os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no final de fevereiro.
No Líbano, onde o Irã é um dos principais players políticos, Israel iniciou ataques à infraestrutura do Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. O ataque, que resultou na morte de um soldado do Exército libanês, também foi reportado em meio ao aumento das hostilidades entre as nações envolvidas.
Os preços do petróleo reagiram ao aumento das tensões, com os contratos futuros do petróleo bruto americano subindo aproximadamente 3%, enquanto as ações sofreram queda e o dólar se fortaleceu devido à diminuição da confiança dos investidores em um acordo que muitos acreditavam ser essencial para a estabilidade econômica global.
Impactos na Segurança do Estreito de Ormuz
Donald Trump tem reiterado que o fim da guerra está próximo, mas expressou sua insatisfação com o andamento das negociações. Ele enfatizou em uma reunião que os EUA não considerariam o alívio de sanções, uma das exigências centrais de Teerã. Trump questiona a viabilidade de um rascunho de acordo que poderia, em um cronograma otimista, restaurar a navegabilidade do Estreito de Ormuz a níveis pré-conflito em um mês.
O presidente dos EUA lançou uma advertência a Omã, um país com o qual os EUA mantêm laços militares e econômicos, esclarecendo que o controle do estreito deve ser de acordo com normas internacionais. “Ninguém vai controlar (o estreito)”, afirmou Trump. Por outro lado, o Omã não se manifestou sobre a proposta de controle conjunto do estreito com o Irã.
A Guarda Revolucionária do Irã reafirmou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, comunicando que havia interceptado duas embarcações e permitido a passagem de 26 navios nas últimas 24 horas. Antes da guerra, o estreito era uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, com uma média de mais de cem navios transitando diariamente.
Desafios na Negociação de Acordos
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, se mostrou confiante, afirmando em uma carta ao Parlamento que o Irã saiu fortalecido do conflito e pediu unidade nacional para enfrentar as dificuldades econômicas e sociais. Além disso, o governo iraniano fez um apelo para que os EUA liberassem fundos internos e levassem em consideração o fim do bloqueio aos seus portos.
Cabe ressaltar que a mídia estatal iraniana noticiou a existência de um rascunho de acordo que contemplava a retirada das tropas americanas e a discussão sobre a presença militar na região. A Casa Branca, no entanto, classificou tal informação como uma “completa invenção”, demonstrando a falta de consenso entre os dois lados.
As discussões sobre o programa nuclear do Irã também estão no cerne dessas negociações, com muitos críticos advogando pelo desmantelamento total do programa, algo que o Irã alega ser de fins pacíficos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi claro ao afirmar que o objetivo é garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear.
Pesquisa: 6 em cada 10 americanos veem guerra com o Irã como erro
O fortalecimento das tensões entre o Irã e os EUA, junto aos conflitos amplificados no Líbano, colocam em evidência a complexidade do cenário geopolítico no Oriente Médio. A dinâmica entre os países envolvidos e suas respectivas ações moldam não apenas a segurança regional, mas também afetam diretamente o cenário econômico global, particularmente nas questões de energia.
