Sobreviventes continuam a ser buscados após terremoto na Indonésia

Sobreviventes continuam a ser buscados após terremoto na Indonésia

Equipes de resgate vasculham os escombros de edifícios que desabaram na Indonésia em busca de corpos e possíveis sobreviventes após o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu o país no sábado, deixando mais de 50 mortos.

Mais de 1.300 casas foram danificadas, mais de dois terços delas gravemente, além de unidades de saúde, escolas e prédios públicos, informou a BNPB neste domingo, segundo a Reuters.

O número de feridos, incluindo os que ficaram gravemente feridos, chegou a 113, disse o vice-ministro da Saúde, Benjamin Paulus Octavianus, durante uma reunião televisionada. Ele acrescentou que cerca de 5 mil moradores foram retirados de suas casas.

O terremoto atingiu o litoral da ilha de Flores por volta das 6h no horário local de sábado, a cerca de 68 quilômetros a noroeste de Ende, na província de Nusa Tenggara Oriental, danificando edifícios e obrigando moradores a deixar suas casas.

O tremor foi seguido por mais de 340 réplicas, informou a Reuters.

Impacto do terremoto na ilha de Flores

Moradores da vila costeira de Sikka passaram a noite do lado de fora de casas destruídas, enquanto outros receberam atendimento hospitalar na cidade portuária de Maumere.

Abdul Mutas, de 63 anos, e sua família dormiram sobre uma lona, cercados por árvores. “A maré estava subindo, então corremos”, disse ele à Reuters, acrescentando: “Só trouxe meu corpo”.

“Quase todos os moradores de Sikka não se atreveram a ficar dentro de casa”, disse o vice-regente da vila, Simon Subandi, à KompasTV.

Cinquenta mil pacotes de ajuda, pesando 275 toneladas, estão a caminho da ilha, informou a agência de busca e salvamento da Indonésia, a BNPB.

Após o terremoto de sábado, um alerta de tsunami foi inicialmente emitido, mas posteriormente suspenso, informou a agência. Algumas ondas de até 1 metro foram registradas em Maurole, em Ende, segundo a agência de meteorologia, climatologia e geofísica da Indonésia.

A resiliência da comunidade local

O terremoto e muitas de suas réplicas foram sentidos em toda Flores, uma ilha verdejante e montanhosa da cadeia de Sunda, que também inclui o popular destino turístico Bali.

Flores é conhecida por seus coloridos lagos vulcânicos e por ser uma porta de entrada para o Parque Nacional de Komodo, lar dos maiores lagartos da Terra. Sua população, de cerca de 2 milhões de habitantes, está em grande parte espalhada por pequenas vilas.

Vídeos publicados nas redes sociais mostraram edifícios desabando e moradores em pânico correndo e gritando enquanto a poeira tomava o céu. Um dos vídeos mostrou danos a um hospital na vila de Aeramo.

Poucas horas após o primeiro terremoto, outro tremor, de magnitude 6,9, sacudiu o norte de Sumatra, na Indonésia. Mais tarde, um terceiro terremoto, de magnitude 5,7, ocorreu cerca de 965 quilômetros ao norte, ao largo da Península de Minahasa, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Theresia Uta, de 52 anos, disse à CNN que havia acabado de terminar o café da manhã na cidade costeira de Maumere quando o primeiro terremoto aconteceu. Ela correu para fora e segurou uma árvore no quintal por 10 minutos, até que o tremor parasse.

“Embora eu já tenha passado por vários terremotos na ilha de Flores, este foi, de longe, o terremoto mais forte e mais longo que já experimentei. O tremor foi extremamente poderoso e violento”, disse.

Desafios e assistência humanitária

Ela afirmou que entrou rapidamente em seu carro para deixar a área, acrescentando que as estradas foram bloqueadas devido a vários deslizamentos de terra.

Estudantes do Seminário Maior Católico Romano São Pedro, em Sikka, participavam da missa da manhã quando o teto de um salão de reuniões desabou, fazendo com que as pessoas fugissem em pânico, disse o reitor do seminário, padre Guidelbertus Tanga, segundo a Associated Press.

“Nossos estudantes e freiras correram em pânico enquanto o teto desabava”, disse Tanga. “Pelo menos um padre sofreu uma fratura na perna depois de pular do segundo andar de um prédio durante o terremoto.”

Uma moradora de 51 anos da cidade de Talibura disse que o terremoto foi “enorme” e obrigou sua família a sair às pressas de casa.

“O terremoto foi enorme, o choque foi muito forte. Estávamos descansando em casa com a família. Éramos 13 dentro da casa e todos corremos para nos salvar”, disse a moradora, Nona, à Reuters.

Um jovem de 16 anos que vive na mesma região disse que foi a primeira vez que sentiu um terremoto tão forte e acrescentou que correu imediatamente para uma área mais elevada.

“Fiquei assustado por causa do terremoto. Eu estava dormindo”, disse Yoan Rinto à Reuters. “Sim, ainda estou em pânico, ainda estou muito preocupado.”

Cerca de 2 mil moradores foram retirados do distrito de Nagekeo como medida de precaução, informou a BNPB.

A agência enviou um helicóptero junto com sua equipe de resposta a emergências, observando que a geografia da região, formada por muitas ilhas, dificulta o acesso.

Imagens divulgadas pela agência nacional de busca e salvamento e compartilhadas pela CNN Indonésia mostraram equipes de resgate vasculhando os escombros em busca de possíveis sobreviventes.

O terremoto na Indonésia ocorre após grandes desastres na Venezuela e na Colômbia. Em junho, a Venezuela foi atingida por dois fortes terremotos, nos quais milhares de pessoas morreram. Outro terremoto que atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira deixou pelo menos 287 mortos.