Exportação ao Golfo recua em abril, mas agro se destaca

Exportação ao Golfo recua em abril, mas agro se destaca

As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) enfrentaram desafios com a instabilidade no Oriente Médio, mas ainda mostram resiliência no agronegócio. Em abril, os embarques registraram o segundo recuo do ano, resultando em um volume inferior ao mês anterior. No entanto, no acumulado do ano, o setor agropecuário ainda apresenta resultados positivos.

Um levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, com base em dados do Governo Federal, revela que a guerra em andamento no Oriente Médio e a interrupção do Estreito de Ormuz tiveram um impacto direto nas exportações nos últimos meses. Apesar disso, o desempenho de diversas categorias de produtos e a busca por novas alternativas de destino ajudaram a mitigar as perdas.

As vendas de produtos agropecuários para o CCG mantêm-se positivas, com um crescimento de 1,97% no ano, totalizando US$ 1,76 bilhão. Os principais produtos, como frango, açúcar, carne bovina, milho e café, apresentam variações de desempenho. Embora algumas categorias tenham registrado quedas, essas perdas foram compensadas por aumentos em outras.

Desempenho do Agronegócio e Desafios Logísticos

As exportações de frango, por exemplo, caíram 5,98%, com receitas de US$ 791,19 milhões. Contudo, o Catar, embora tenha acesso limitado a portos, aumentou suas compras em 13,82%, totalizando US$ 70,29 milhões. Isso foi possível através de soluções logísticas criativas, envolvendo portos sauditas, transporte rodoviário e aéreo.

O açúcar, por outro lado, apresentou um crescimento robusto de 28,74% no primeiro quadrimestre, atingindo US$ 442,59 milhões, com um aumento significativo na Arábia Saudita e um impressionante crescimento de 6.332,27% em Omã, mesmo diante dos obstáculos impostos pelo bloqueio no Estreito de Ormuz.

A carne bovina também se destacou, registrando um aumento de 28,77%, totalizando US$ 219,30 milhões. Contudo, houve uma desaceleração nos embarques em abril, com receitas caindo 46,90% em relação a março, indicando uma possível reversão de tendência no mercado.

Recuperação de Vendas e Sustentabilidade do Comércio

Após uma queda acentuada em março, o milho viu um retorno ao crescimento em abril, gerando vendas de US$ 11,80 milhões, com um aumento acumulado de 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões. O desempenho das vendas foi principalmente impulsionado por transações com o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.

O café, uma das estrelas do agronegócio brasileiro, apresenta um crescimento substancial de 58,50% no quadrimestre, alcançando US$ 64,67 milhões. Os maiores aumentos de vendas foram observados nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã, sugerindo uma estratégia de recompra de estoques pelos importadores na região.

Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, enfatiza a competitividade dos produtos brasileiros. “A demanda pelo agro brasileiro é inelástica. A qualidade e especificidade dos nossos produtos não são facilmente substituídas. Mesmo com o aumento dos custos logísticos, é crucial encontrar alternativas para uma entrega eficiente”, destacou Mourad.

Impacto nos Números Gerais das Exportações

Exportações brasileiras

De acordo com os dados, as receitas gerais das exportações caíram 24,99% em abril, somando US$ 455,54 milhões, em comparação com o mesmo mês no ano passado. No acumulado do ano, houve uma ligeira queda de 0,67%, resultando em um total de US$ 2,82 bilhões.

Apesar das reduções, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira indica que a demanda no CCG permanece significativa. O fechamento do Estreito de Ormuz trouxe um aumento nos custos logísticos, elevando despesas com fretes e seguros. Isso exigiu adaptações, como transbordos rodoviários e aéreos, mas a necessidade de produtos agropecuários para garantir a segurança alimentar na região ainda impulsiona as exportações.

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