A Porsche realizou sua assembleia geral anual nesta terça-feira (23), enfrentando o desafio de convencer investidores de que a recuperação é viável. O novo CEO, Michael Leiters, que assumiu a liderança em 1º de janeiro de 2026, apresentou a Estratégia 2035, um plano de reestruturação focado em reverter a queda de margem de lucro, que atingiu 1,1% no ano anterior.
O objetivo da empresa é alcançar uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% para o ano fiscal de 2026. Essa previsão considera despesas extraordinárias estimadas entre 800 a 900 milhões de euros e custos tarifários de aproximadamente 700 milhões de euros. A receita esperada varia entre 35 e 36 bilhões de euros.
Leiters foi claro ao informar que os acionistas não devem esperar um retorno rápido às margens anteriores. Ele destacou que a melhora significativa no desempenho financeiro virá principalmente com os novos produtos da marca. “E isso leva tempo”, enfatizou o CEO.
Estratégia de Marca e Desejabilidade
Um dos pilares da Estratégia 2035 é o fortalecimento da marca. Leiters deixou claro que a Porsche não busca crescimento de volume, enfatizando que esse nunca deveria ter sido seu objetivo. “Não se trata de maximizar vendas, mas sim de valor, desejabilidade e lucratividade. Vender mais carros não torna a Porsche mais forte. Ficamos mais fortes quando os clientes querem comprar um Porsche, não por necessidade, mas por desejo”, afirmou.
Essa abordagem reflete uma mudança significativa na filosofia da empresa, posicionando a Porsche como uma marca para aqueles que apreciam a experiência de dirigir em um mundo em crescente automatização.
Redução de Variantes e Compromisso com Energias
O segundo pilar do plano aborda os produtos, e Leiters acredita que simplificar o portfólio é essencial. A Porsche já descontinuou versões de carroceria do elétrico Taycan nos Estados Unidos e outros cortes estão em análise.
A empresa mantém seu compromisso com três motorizações: combustão, híbrida e elétrica. Leiters destacou que o sistema híbrido não é apenas uma tecnologia de transição, mas um componente essencial para modelos icônicos como o 911. “Não haverá um 911 totalmente elétrico”, afirmou.
No que diz respeito à motorização elétrica, a principal aposta é no Cayenne Electric. “Estou convicto de que o Cayenne Electric pode ser um pilar central para a Porsche na era elétrica”, disse Leiters, evidenciando a relevância desse modelo para o futuro da marca.
Cortes Profundos e Reestruturação Interna
O terceiro pilar lida com a estrutura organizacional da empresa. Leiters confirmou planos de ampliar o compartilhamento de plataformas com o Grupo Volkswagen e intensificar a eficiência operacional. A experiência com o Cayenne e o Macan já demonstrou a eficácia dessa abordagem.
No entanto, Leiters destacou que os cortes previamente anunciados não serão suficientes, indicando que discussões sobre redução de funcionários estão em andamento. “Temos uma equipe talentosa, mas para garantir a competitividade a longo prazo, o enxugamento planejado até agora não é o bastante”, admitiu.
O presidente do Conselho de Supervisão, Dr. Wolfgang Porsche, deu apoio à gestão de Leiters, destacando que as medidas necessárias podem ser bastante perceptíveis e, em certos casos, desconfortáveis. Contudo, ele ressaltou a sua necessidade para restabelecer a empresa no caminho do sucesso.
Para o exercício de 2025, o conselho sugere um dividendo de 1,01 euro por ação preferencial e 1,00 euro por ação ordinária — valores que permanecem acima da meta de distribuição de 50% do lucro líquido, mas em queda em relação ao ano anterior.
A Estratégia 2035 será explorada em detalhes durante o Capital Markets Day, agendado para o dia 7 de outubro. Leiters deixa claro que a apresentação irá expor de forma clara a direção futura da companhia.

