Na segunda quinzena de abril, as unidades produtivas da região Centro-Sul processaram 40,06 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, segundo dados da Unica. O volume é 123% maior que o processado no mesmo período da safra anterior, que registrou 17,96 milhões. Até primeiro de maio, no acumulado da safra 2026/2027, a moagem totalizou 60,46 milhões de toneladas.
Com a retomada das atividades, 38 unidades produtoras de cana-de-açúcar voltaram a funcionar, totalizando 238 unidades na região Centro-Sul. Desse número, 219 são focadas no processamento de cana, enquanto dez empresas fabricam etanol a partir do milho e nove são usinas flex. Em comparação, na safra 2025/2026, houve 226 unidades em operação, sendo 209 com processamento de cana e dez produzindo etanol do milho, além de sete usinas flex.
A qualidade da matéria-prima também se destaca, com o nível de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) registrado na segunda quinzena de abril atingindo 116,89 kg por tonelada de cana-de-açúcar. Esse índice é superior ao 109,92 kg por tonelada da safra 2025/2026, uma variação positiva de 6,34%. No acumulado da safra, o ATR chegou a 112,58 kg por tonelada, o que representa um aumento de 5,40% em relação ao ciclo anterior na mesma posição.
Produção de Açúcar e Etanol
No acumulado desde o início da safra, até o dia 1º de maio, a produção de açúcar atingiu 2,47 milhões de toneladas. Na segunda quinzena de abril, 59,66% da cana processada foi destinada à fabricação de etanol, um aumento em relação aos 54,31% registrados no mesmo período da safra anterior. Essa mudança no mix reflete a prioridade das unidades produtoras em relação ao biocombustível, com um mix acumulado da safra de 61,84% contra 54,77% na safra 2025/2026.
Como consequência desse foco, a produção de etanol pelas unidades do Centro-Sul na segunda metade de abril atingiu 2,04 bilhões de litros. Deste total, 1,41 bilhão de litros foi de etanol hidratado e 628,64 milhões de litros foram de etanol anidro. No acumulado do ciclo agrícola atual, a produção do biocombustível totalizou 3,29 bilhões de litros, apresentando um aumento de 71,84% em relação ao ciclo anterior, sendo 2,30 bilhões de etanol hidratado (alta de 59,47%) e 982,88 milhões de etanol anidro (crescimento de 110,07%).
Etanol de Milho em Crescimento
Do total de etanol produzido na segunda quinzena de abril, 19,25% foram originados do milho, resultando em uma produção de 392,48 milhões de litros. Essa quantidade é ligeiramente superior aos 358,87 milhões de litros registrados no mesmo período do ciclo 2025/2026, o que representa um crescimento de 9,37%. No acumulado desde o início da safra, a produção de etanol de milho alcançou 804,42 milhões de litros, um avanço de 12,21% em comparação com o mesmo período do ano passado.
A crescente demanda por biocombustíveis tem impulsionado as decisões das unidades produtivas, que priorizam a fabricação de etanol no seu mix de produção. A diversificação nas fontes de matéria-prima, como a cana e o milho, reforça a posição dos produtores em resposta às necessidades do mercado e às tendências de consumo sustentável.
A Importância da Região Centro-Sul
A região Centro-Sul do Brasil continua sendo um polo crucial na produção de cana-de-açúcar e derivados. Com o aumento do processamento e a melhoria na qualidade da matéria-prima, as unidades produtivas estão se adaptando para atender às exigências do mercado brasileiro e internacional. A Prioridade na produção de etanol, em detrimento do açúcar, reflete uma estratégia alinhada às tendências de energias renováveis e à busca por alternativas sustentáveis.
Portanto, a expectativa é de que as próximas safras sigam a tendência de crescimento na produção e na eficiência, consolidando a posição do Brasil como líder global na produção de biocombustíveis, especialmente o etanol. Essa dinâmica não apenas impacta a economia local, mas também contribui para iniciativas globais de redução de emissões de carbono e sustentabilidade ambiental.
