O abastecimento de produtos em supermercados brasileiros apresentou uma leve melhora recentemente, embora desafios permanecem. O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a escassez de produtos nas gôndolas, caiu para 11,5% em abril, o que representa uma diminuição de 0,2 pontos percentuais. Essa queda indica que algumas categorias essenciais, no geral, estão melhor abastecidas. Entretanto, produtos relacionados ao agronegócio, como o leite e outros itens, continuam sendo pressionados por fatores como clima adverso, aumento nos custos de produção e dificuldades logísticas.
Destaques do Abastecimento
Entre as categorias analisadas, o leite UHT se destacou com um aumento na ruptura, que passou de 19,1% para 20,7% em abril. Esse aumento reflete a menor oferta de leite cru devido a variações climáticas, custos elevados na alimentação de animais e desafios no transporte e na distribuição. Essa situação é preocupante, pois o reajuste nos preços do leite assinalou um aumento médio significativo: o leite integral, por exemplo, saltou de R$ 5,45 para R$ 6,08 por litro.
A pressão de preços também foi sentida em outras versões do produto. O semidesnatado subiu de R$ 5,46 para R$ 6,16, o desnatado de R$ 5,36 para R$ 6,06 e o sem lactose de R$ 6,83 para R$ 7,47. Segundo Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, essa situação gera um ambiente de “perde-perde” tanto para o consumidor quanto para o varejista, uma vez que a falta de produtos pode levar o consumidor a buscar alternativas em outras lojas.
De acordo com dados do IBGE, o leite longa vida teve um impacto significativo na aceleração do IPCA-15 de abril, com um aumento de 16,33% no período. O grupo Alimentação e Bebidas, por sua vez, avançou 1,46%, exercendo um papel crucial sobre o índice geral, e reafirmando a importância do abastecimento pleno para o orçamento das famílias.
Melhorias em Outras Categorias
Por outro lado, categorias importantes do agronegócio, como o feijão, mostraram sinais de melhora no abastecimento. O feijão, uma das principais fontes de proteína, registrou sua primeira queda na ruptura, passando de 10,8% para 9,4%. O arroz também teve um desempenho melhor, com uma redução na ruptura de 11,7% para 11,1%. O café, por sua vez, viu uma diminuição de 7,5% para 6,8%. Esses resultados indicam uma gradual recomposição do mercado, auxiliada por colheitas bem-sucedidas e uma maior previsibilidade logística.
No entanto, apesar dessas reduções nos índices de ruptura, os preços de commodities alimentares, como o feijão e o arroz, continuam elevados. O feijão vermelho, por exemplo, viu seu preço médio subir de R$ 12,20 para R$ 12,40, enquanto o carioca foi de R$ 7,96 para R$ 8,37 e o feijão preto de R$ 6,39 para R$ 6,62. O café em pó teve uma ligeira queda, de R$ 74,82 para R$ 73,60 por quilo, enquanto o café em grãos foi de R$ 136,19 para R$ 133,97. O arroz branco, por outro lado, aumentou de R$ 4,76 para R$ 4,82 e o parboilizado de R$ 4,51 para R$ 4,60, com exceção do arroz integral, que teve uma leve queda de R$ 7,19 para R$ 7,15.
Preços e Ovos em Maior Ruptura
Os ovos continuam a ser uma categoria com um alto índice de ruptura, mesmo apresentando uma redução de 1,5 pontos percentuais em abril. A rupturabilidade dos ovos caiu de 27% em março para 25,5% em abril, mas os níveis ainda são altos em comparação a históricos. Essa situação evidencia como as proteínas básicas permanecem vulneráveis às flutuações nos custos de produção e na dinâmica de oferta. No que diz respeito aos preços, houve uma queda nos pacotes de ovos, com a embalagem de 12 unidades reduzindo de R$ 12,07 para R$ 11,98, e a caixa com 20 unidades descendo de R$ 17,34 para R$ 16,90. No entanto, a embalagem com meia dúzia de ovos apresentou um ligeiro aumento, passando de R$ 7,42 para R$ 7,51, reforçando a necessidade de uma constante atenção às variações no mercado.
Portanto, o cenário atual do abastecimento no Brasil reflete diversas nuances que envolvem tanto a oferta quanto a demanda de produtos essenciais. Enquanto algumas categorias mostram recuperação no abastecimento, outras, como o leite, continuam a enfrentar dificuldades. Essa complexidade ressalta a importância da gestão e planejamento eficazes no setor, que se tornaram fundamentais para o sucesso no varejo alimentar.
