A homenagem da FAO a pescadoras brasileiras destaca a resistência e a força das mulheres na pesca artesanal. Joana Rodrigues Mousinho e Luena Maria Ferreira dos Santos foram reconhecidas internacionalmente por suas contribuições significativas aos sistemas agroalimentares e à organização comunitária. Ambas têm se dedicado a promover a inclusão das mulheres em suas respectivas comunidades, buscando maior reconhecimento e direitos, representando assim uma luta coletiva.
Com mais de seis décadas de experiência, Joana, de 70 anos, atua na pesca artesanal em Itapissuma, Pernambuco. Sua trajetória se confunde com a luta por direitos das trabalhadoras do setor, na captura e comercialização de produtos do mar. Luena, por sua vez, é uma referência na organização de pescadores indígenas no sul da Bahia, onde coordena várias associações em nome de sua comunidade Pataxó.
A cerimônia de premiação ocorreu durante o Fórum Mundial da Alimentação, com a participação de mais de 600 candidaturas de diferentes países. Joana e Luena se destacaram, recebendo uma honra que não é apenas individual, mas que também eleva as vozes de suas comunidades.
Experiências de Vida e Contribuições
A história de Joana é marcada por pioneirismos, como se tornar uma das primeiras mulheres a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) no país e a primeira a presidir uma colônia de pescadores. Já Luena, ao liderar a Apip (Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó), desenvolveu um trabalho voltado à geração de renda e à valorização cultural de seu povo, consolidando parcerias que resultaram em melhorias significativas para a segurança e o sustento das famílias que dependem da pesca artesanal.
Joana acredita que o reconhecimento da FAO é uma vitória coletiva, capaz de inspirar mais mulheres a ocuparem espaços de decisão em suas comunidades. A mobilização de Luena é igualmente importante, com sua liderança promovendo práticas sustentáveis e o envolvimento ativo nos processos de governança pesqueira, defendendo os direitos de seu povo.
A Importância da Pesca Artesanal
A pesca artesanal desempenha um papel crucial na segurança alimentar e no sustento de muitas comunidades. Segundo a FAO, as mulheres representam 41% da força de trabalho no setor agroalimentar, ainda que enfrentem desigualdades e condições precárias. Joana e Luena não apenas lutam por seus direitos, mas também servem como influências positivas, criando redes de apoio que fortalecem seu papel na economia rural.
Ambas as lideranças enfocam a importância da preservação ambiental, vinculando conhecimentos tradicionais à atividade pesqueira. Luena, em particular, ressalta que a pesca artesanal respeita os ciclos naturais, enfatizando a conexão entre o meio ambiente e as práticas sustentáveis de pesca. Esse respeito pela natureza é uma herança cultural e uma necessidade para a sobrevivência das comunidades pesqueiras.
O Futuro das Mulheres na Pesca Artesanal
O reconhecimento de Joana e Luena abre portas para a discussão sobre políticas públicas que garantam os direitos das pescadoras e o respeito às suas culturas. Ambas fazem parte do Fórum de Políticas Públicas de Autonomia Econômica e Cuidado com Mulheres da Pesca, que visa atender às demandas das trabalhadoras do setor. O compromisso com a defesa dos territórios e o incentivo à inclusão das mulheres nos processos de tomada de decisão são fundamentais para o fortalecimento das comunidades pesqueiras.
A homenagem da FAO é vista como um passo importante que não deve ser subestimado. Reflete o potencial de transformação que as mulheres podem trazer para os sistemas agroalimentares. As experiências de Joana e Luena demonstram que, ao promover a equidade de gênero e os direitos das comunidades, é possível avançar em direção a um futuro mais justo e sustentável.
O reconhecimento e a valorização do papel das mulheres na pesca são essenciais não apenas para as comunidades envolvidas, mas para a proteção de um modo de vida que respeita a natureza. A luta de mulheres como Joana e Luena é uma prova de que, com resiliência e união, é possível superar desafios e construir um legado que favorece futuras gerações.



