No último domingo (15), as forças israelenses mataram 16 pessoas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, de acordo com autoridades de saúde da região. Este evento representa um dos dias mais letais das últimas semanas, com Israel intensificando ataques no Líbano e no Irã.
Médicos e o Ministério do Interior de Gaza, sob controle do Hamas, relataram que um ataque aéreo resultou na morte de um alto oficial da polícia e de oito agentes ao atingir um veículo no centro da faixa. Pelos menos 14 civis que passavam pelo local também ficaram feridos, conforme informado pelo Ministério da Saúde.
Incidentes na Cisjordânia
Cerca de algumas horas antes, um novo ataque aéreo em Nuseirat matou um homem, sua esposa grávida e o filho do casal. Até o momento, Israel não comentou sobre os incidentes recentes.
Na Cisjordânia ocupada, um pai, sua esposa e dois filhos foram mortos enquanto dirigiam. As autoridades palestinas identificaram Ali Khaled Bani Odeh, de 37 anos, a esposa Waad, de 35, e os filhos de cinco e sete anos, vítimas de disparos na cabeça. Dois outros filhos do casal ficaram feridos.
O Exército de Israel afirmou que sua operação visava prender palestinos envolvidos em atividades tidas como “terroristas” e que a situação está sob investigação. No processo, o carro em que a família viajava teria acelerado em direção aos soldados, levando à reação armada.
Testemunhos e consequências
No hospital, Khaled, de apenas 12 anos, um dos sobreviventes, relatou à Reuters que sua mãe chorava e seu pai rezava antes do carro ser atingido. “Fomos alvo de tiros diretos. Não sabíamos de onde vinham. Todos no carro foram mortos, exceto eu e meu irmão Mustafa”, explicou.
Ele também alegou que soldados os agrediram e insultaram, tratando-os de forma desumana. Os relatos de sobreviventes revelam a gravidade da violência na região.
Aumento da violência após o cessar-fogo
Desde o estabelecimento de um cessar-fogo em outubro, episódios de violência não cessaram na Faixa de Gaza. Moradores e especialistas afirmam que os ataques israelenses inicialmente diminuíram após ofensivas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em fevereiro, mas que os ataques aumentaram novamente nos últimos dias. De acordo com autoridades de saúde, já são ao menos 36 palestinos mortos por disparos israelenses desde o início dessa nova onda de confrontos.
Além disso, o Ministério da Saúde de Gaza registrou que pelo menos 670 palestinos perderam a vida desde o cessar-fogo em outubro. Em contrapartida, Israel informou que quatro soldados seus foram mortos em confrontos na mesma época.
Como agravante, o Ministério da Saúde palestino indicou que um palestino foi morto durante um ataque de colonos israelenses neste domingo. Várias organizações de direitos humanos têm destacado que colonos na Cisjordânia aproveitam as restrições de circulação decorrentes do conflito para agredir palestinos. Segundo o ministério, cinco palestinos foram mortos por colonos desde o início da guerra com o Irã.
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