O streamer estadunidense Warren Pandiscia entrou com uma ação coletiva contra a Amazon e a Twitch, acusando as empresas de usarem seu conteúdo para treinar modelos de IA. O processo foi protocolado no Tribunal Distrital de São Francisco, da Califórnia, no final da semana passada.
O documento alega que o serviço de streaming não teve a permissão de Pandiscia, que tem cerca de 900 seguidores na plataforma, para usarem suas transmissões em vídeo na Twitch para “alimentar os produtos de IA da Amazon”. A Amazon é dona e controladora da Twitch.
Entre as acusações, o streamer defende que Amazon e Twitch violaram o contrato ao usar os vídeos como “material de treinamento gratuito para produtos comerciais de IA”, e que as empresas teriam enriquecido às custas dos criadores de conteúdo. Segundo o processo, os streamers “perderam dinheiro ou bens como resultado das práticas ilegais, desleais e fraudulentas dos réus”.
“Criadores de conteúdo, como o autor e os membros da ação coletiva, nunca conseguirão recuperar a propriedade intelectual copiada e usada ilegalmente pelas rés para treinar a IA generativa da Amazon”, afirmou Pandiscia no processo.
A CNN Brasil entrou em contato com Amazon e Twitch, e aguarda posicionamento sobre o assunto.
Implicações do uso de conteúdo para treinamento de IA
Em 12 de agosto, a conta de Suporte da Twitch anunciou que conteúdos dos canais poderiam ser usados para treinar modelos de IA generativa da Amazon. A empresa adicionou uma opção para desativar esse tipo de uso. Essa atualização gerou um impasse entre criadores e plataformas sobre a propriedade do conteúdo.
A configuração é ativada por padrão e cabe ao usuário desativar o uso pela IA. O processo acusa justamente a configuração padrão, sem exigir consentimento por parte do usuário. A ação pede que as companhias parem com essa prática, instigando um debate sobre os direitos dos criadores.
O que pensam os criadores de conteúdo?
Os criadores de conteúdo, como Warren Pandiscia, sentem-se ameaçados pela possibilidade de suas obras serem usadas sem consentimento. Muitas vozes na comunidade de streamers levantam questões sobre a ética e a justiça em relação ao uso de seu trabalho para treinamento de inteligência artificial.
No contexto digital, as plataformas estão se tornando cada vez mais poderosas, e as vozes dos criadores, em muitos casos, são ignoradas. A preocupação com a desvalorização do trabalho criativo é crescente. O uso indevido de conteúdo pode resultar em perdas financeiras significativas para os criadores, especialmente os pequenos, que dependem de suas criações para sustentar a si mesmos.
A defesa da Twitch e a perspectiva da tecnologia
Pouco tempo depois do anúncio da medida, o diretor de produtos da empresa, Mike Minton, defendeu a configuração padrão. Para ele, se o uso dos vídeos para treinamento fosse opcional, “ninguém optaria por participar”. Esta afirmação revela a postura da plataforma em relação à inovação e ao desenvolvimento de novos produtos.
A perspectiva de Minton é de que o progresso tecnológico pode beneficiar a todos, mas os criadores de conteúdo se sentem cada vez mais à mercê das decisões corporativas. Conflitos de interesse são comuns em um cenário onde as plataformas buscam maximizar lucros enquanto os criadores buscam proteger suas obras e garantir reconhecimento.
Portanto, a ação proposta por Pandiscia não é apenas sobre um caso isolado, mas representa uma batalha mais ampla sobre a propriedade intelectual no mundo digital. A luta por direitos de uso adequado está apenas começando, e a situação atual pode ser um ponto de virada crucial para o futuro dos criadores de conteúdo online.


