Na manhã da última quinta-feira (17), uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil foi desencadeada com o objetivo de desmantelar atividades do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro do sistema de transporte público da capital paulista. A ação visa cumprir 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos da operação, destacam-se o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL), o ex-presidente da SPTrans Levi Oliveira e vários advogados envolvidos no esquema.
A investigação revelou que pelo menos 12 empresas de transporte coletivo em operação na cidade de São Paulo podem estar sob controle direto ou indireto do PCC. Até o fechamento desta matéria, nove dos 16 alvos já tinham sido detidos, incluindo indivíduos como Júlio Salvador Filho e Danilo Marco Morgado Silva.
Quem são os principais alvos?
Milton Leite é um dos pontos centrais da investigação. Ele é apontado pelo MP como o “responsável direto” por operações de empresas ligadas ao PCC. Relatos indicam que Leite pode ser o verdadeiro proprietário da Transwolff, uma das empresas implicadas. As investigações revelaram que a Transwolff e a UPBUS poderiam estar servindo como fachada para ocultar recursos ilícitos do PCC, incluindo dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
Além disso, Leite tem um histórico político expressivo, atuando como vereador por sete mandatos e várias vezes ocupando a presidência da Câmara Municipal de São Paulo. Recentemente, ele afirmou que se apresentará às autoridades, negando todas as alegações de envolvimento com a facção criminosa.
Envolvimento do ex-presidente da SPTrans
Outro alvo de destaque é Levi dos Santos Oliveira, o ex-presidente da SPTrans. De acordo com o MPSP, ele estaria diretamente envolvido em atividades que favoreciam os interesses do PCC, tendo mantido encontros regulares com figuras influentes da facção. Levi, que integrou a SPTrans desde 1991, foi um dos atores cuja gestão possibilitou o funcionamento de empresas que operam no transporte público, levantando suspeitas sobre a legalidade de sua atuação.
Danilo Marco Morgado Silva, um candidato a deputado estadual, também é implicado na operação. Ele é acusado de ter utilizado recursos oriundos do PCC para financiar sua campanha eleitoral, demonstrando a presença da facção no cenário político local. Durante as investigações, surgiram informações sobre um possível vínculo entre Morgado e a organização criminosa, o que levou à sua inclusão nas prisões e buscas da operação.
A participação dos advogados e suas funções
A operação também foca na rede de advogados que supostamente atuaram em conluio com o PCC. O advogado Cicero Jose dos Santos Filho, por exemplo, é descrito como tendo extrapolado seu papel profissional ao se envolver diretamente com as operações da facção. Ele supostamente organizou reuniões e utilizou sua conta bancária para movimentar valores suspeitos.
Por outro lado, Edivania Arruda Botelho Alves, conhecida como “Lalinha”, é indicada como um meio de comunicação entre integrantes do PCC detidos e membros livres da facção. O marido dela também é um membro do PCC que estava encarcerado, o que levanta questões sobre a extensão da influência da facção dentro do sistema.
Outros advogados mencionados, como Milton Milreu e Sérgio Luiz Gevard de Oliveira, também aparecem nas investigações, com suspeitas de que seus serviços poderiam ter sido utilizados para fortalecer os laços do PCC com o mercado de transporte.
A operação realizada nesta quinta-feira revela a gravidade da infiltração do PCC em instituições que deveriam assegurar a integridade do transporte público em São Paulo. As consequências das investigações podem ser profundas, não só na esfera criminal, mas também na estrutura política e administrativa da cidade. O Ministério Público e a Polícia Civil continuam suas investigações, enquanto as autoridades prometem total colaboração para o esclarecimento dos fatos.
