A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) já matou quatro homens até esta quinta-feira (9), durante as buscas por possíveis suspeitos de participação na tentativa de homicídio do tenente da corporação Ronickson Pimentel dos Santos.
Dois dos mortos não possuem indícios de ligação com o crime. Um deles chegou a ser apontado como suspeito pela PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo), que depois voltou atrás e descartou a suspeita. Os outros dois mortos são indicados como participantes do crime, mas as investigações ainda prosseguem.
Até o momento, três homens foram presos por participar do atentado e um, que seria o responsável por atirar contra a vítima, está foragido e foi incluído na lista vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).
Quatro mortes em uma semana
A primeira morte ocorreu no dia 1 de julho, após o recebimento de uma denúncia anônima sobre uma suposta participação de um homem no ataque contra Ronickson. Agentes da Rota foram até o local, na região de Guaianases, na zona Leste de São Paulo.
Segundo o registro da ocorrência, os policiais foram recebidos a tiros ao chegarem no local, reagiram e balearam o homem. Ele chegou a ser socorrido até uma unidade médica, mas não resistiu aos ferimentos.
No dia seguinte, em nota, a PM informou que não atribuía ao indivíduo a condição de suspeito de envolvimento na tentativa de homicídio.
Ainda no dia 2 de julho, em Peruíbe, no litoral Sul de São Paulo, outro homem, apontado pela PM como suspeito pelo crime e integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), também foi morto durante uma ação da Rota.
Segundo o boletim de ocorrência, as equipes estavam atrás de Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”, de 47 anos, quando, ao localizar a caminhonete onde ele estava e anunciar a ação policial, o motorista tentou fugir.
A perseguição terminou no bairro Ribamar, após o suspeito ser baleado. Ele também foi socorrido à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade e morreu.
A polícia não informou qual seria exatamente a ligação dele com o atentado contra o tenente.
Foram apreendidos com ele uma pistola calibre .380 com 13 munições, além do veículo.
Um pouco mais de uma semana depois, outros dois homens foram mortos em ação policial. Nesta quinta (9), a Rota estava atrás de Marcelo Jesus Dias, conhecido como “Nego Zum”, suspeito de pilotar a motocicleta utilizada no momento da tentativa de homicídio.
Os agentes policiais se encaminharam à comunidade de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, onde o homem estaria escondido. Segundo a PM, durante uma tentativa de abordagem, os dois indivíduos reagiram e houve troca de tiros.
Marcelo e outro homem que estava com ele e não foi identificado até o momento foram baleados. Eles também foram socorridos e morreram.
As circunstâncias das mortes seguem sob investigação da Polícia Civil.
A CNN Brasil solicitou uma nota sobre as mortes para a SSP (Secretaria de Segurança Pública). O espaço segue aberto.
Prisões dos suspeitos
Até o momento, três homens foram presos na condição de suspeitos de participação na tentativa de homicídio contra o tenente da Rota.
Dois deles teriam dado apoio logístico e de transporte no dia do atentado e foram presos no dia seguinte ao crime. O outro, preso nesta terça-feira (7) em Heliópolis, teve a prisão temporária decretada e confessou que foi responsável por se livrar da moto utilizada pelos autores do atentado.
Foragido e recompensa
Um quarto homem está sendo procurado como o autor dos disparos realizados contra a vítima. Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos de “Golias” e “Peruca”, está foragido desde o dia 2, após ter a prisão temporária decretada pela Justiça.
Ele também foi incluído na lista vermelha da Interpol. Segundo informações de inteligência, há um “risco concreto” de fuga do suspeito para o exterior, inclusive por rotas irregulares de fronteira.
No domingo (5), a Polícia Civil de São Paulo divulgou um cartaz com o rosto do suspeito e oferecendo uma recompensa de R$ 50 mil por informações que ajudem a localizar Hércules.
As informações podem ser dadas de forma anônima pelo telefone 181 ou por meio do portal da Secretaria da Segurança Pública.
Relembre o ataque
O ataque contra o oficial ocorreu na manhã de sábado, dia 27 de junho, na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Ronickson estava de folga, à paisana, e havia acabado de sair de uma academia.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele aguardava a abertura de um semáforo em sua moto quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta.
O tenente foi resgatado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e transportado ao hospital pelo helicóptero Águia da PM.
De acordo com a última atualização, o tenente de 39 anos foi submetido, na manhã desta quinta-feira (9), a um procedimento de traqueostomia no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Segundo boletim do hospital, a cirurgia aconteceu sem intercorrências e sem sangramentos. O oficial já retornou ao leito de UTI, onde permanece em estado grave, estável e respondendo aos cuidados de terapia intensiva.
O tenente segue estável do ponto de vista hemodinâmico, com medicação de suporte em dose baixa, sem febre, com diurese presente e função renal estável, seguindo em tratamento antibiótico e recebendo dieta enteral por sonda.
Ronickson é o irmão mais velho de Eloá Pimentel, jovem de 15 anos que foi assassinada em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, após ser mantida refém por mais de 100 horas em um caso de grande repercussão na imprensa.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo