Braga mantém poderes do conselho e fortalece exportação mineral

Braga mantém poderes do conselho e fortalece exportação mineral

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) manteve os principais poderes previstos para o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos) e as regras que permitem ao governo estabelecer exigências relacionadas à exportação de minerais no relatório apresentado nesta quarta-feira (2) sobre o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A proposta crucial preserva a maior parte do texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeita as principais emendas apresentadas no Senado que buscavam reduzir o alcance do novo conselho e limitar os instrumentos que poderão ser utilizados pelo Executivo para promover o processamento de minerais no Brasil.

Entre os pontos mantidos está a possibilidade de o CIMCE homologar operações consideradas relevantes para a soberania nacional e para o interesse público, incluindo mudanças de controle de empresas detentoras de direitos minerários, determinados contratos internacionais e operações envolvendo títulos minerários.

Braga rejeitou emendas que substituíam o procedimento de homologação por um modelo de simples registro e acompanhamento. Também ficaram de fora propostas que estabeleciam prazos para a análise dos negócios pelo conselho e aprovava a tramitação tácita caso não houvesse manifestação dentro do período previsto. Outra mudança importante aceita pelo relator é que a atuação do CIMCE deverá preservar as competências regulatórias, fiscalizatórias e de outorga da Agência Nacional de Mineração e de outros órgãos públicos.

Exigências de Exportação de Minerais

Um ponto sensível mantido pelo relator está no artigo 8º, que autoriza a adoção, por meio de regulamentação posterior, de parâmetros, requisitos técnicos e compromissos de agregação de valor vinculados à exportação de bens minerais. Este aspecto abre espaço para que o governo estabeleça diferentes exigências, de acordo com o grau de processamento dos minerais, e utilize a regulamentação para incentivar a internalização de etapas da cadeia produtiva.

Braga rejeitou emendas que retiravam do texto a expressão “compromissos de agregação de valor” e outra que eliminava a vinculação desses instrumentos à exportação. O relatório reforça ainda a política de industrialização ao incorporar, entre os parâmetros do artigo 8º, estratégias de redução da dependência externa e ampliação da autonomia tecnológica nacional.

Além disso, o texto mantém a obrigação de fornecer informações sobre operações de exportação, incluindo volume, destino, beneficiário final, cadeia societária, grau de processamento, composição e uso econômico do produto. Essa transparência é essencial para o controle e a gestão adequada dos recursos minerais.

Composição e Funcionalidade do CIMCE

A composição do CIMCE também permanece próxima ao desenho aprovado pela Câmara. O colegiado pode contar com até 15 representantes do governo federal, além de representantes de estados, municípios, setor privado e academia. Braga rejeitou propostas que buscavam reduzir a participação do Executivo ou aumentar a presença de representantes do setor privado, Estados, trabalhadores, comunidades afetadas e organizações da sociedade civil.

Além disso, o relatório mantém a rastreabilidade dos minerais ao longo da cadeia produtiva e o prazo máximo de dez anos para determinadas autorizações de pesquisa mineral. Emendas que buscavam restringir o sistema de rastreabilidade ao primeiro elo da cadeia ou retirar o limite temporal não foram acolhidas.

Entre as mudanças aceitas pelo relator estão a inclusão da Política Nacional de Defesa e da Estratégia Nacional de Defesa entre as diretrizes que deverão ser observadas pela PNMCE e ajustes relacionados à Taxonomia Sustentável Brasileira, assim como a consulta livre, prévia e informada de comunidades afetadas.