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CNPE cancela reunião sobre biodiesel e suas implicações econômicas

CNPE cancela reunião sobre biodiesel e suas implicações econômicas

A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que estava prevista para esta quinta-feira (12), para discutir mudanças nas regras do biodiesel, acabou sendo cancelada. O encontro tinha como objetivo avaliar propostas relacionadas ao mandato de mistura do biocombustível no diesel, assunto que vem mobilizando produtores, distribuidores e entidades do agronegócio.

A pauta incluía a análise de uma minuta que altera os critérios para cumprimento da mistura obrigatória. Entre os pontos discutidos, estava a possibilidade de exigir que 80% do biodiesel usado na mistura venha de usinas com o Selo Biocombustível Social, certificação ligada à compra de matéria-prima da agricultura familiar.

A redação também poderia abrir espaço para que até 20% da demanda fosse atendida por produto sem esse selo, o que, segundo agentes do setor, poderia permitir a entrada de biodiesel importado, dependendo da versão final da regra.

O debate ocorre em um momento sensível para a política energética brasileira. Pela legislação recente, o país deveria ter avançado neste ano para B16 — mistura de 16% de biodiesel no diesel — a partir de 1º de março, mas a implementação depende de decisão do CNPE e de avaliações técnicas sobre a viabilidade da mistura nos motores da frota nacional.

Pressões por Avanços no Biodiesel

Enquanto o governo avalia cautela na ampliação da mistura, representantes do setor produtivo pressionam por um avanço mais rápido. Entidades ligadas ao agronegócio e ao biodiesel defendem não apenas a implementação do B16, mas também a possibilidade de chegar ao B17 (17%) ainda neste ano, argumentando que o aumento da participação do biocombustível reduziria a dependência brasileira da importação de diesel fóssil e ampliaria a segurança energética do país.

Etanol Também Entra na Disputa

Paralelamente à discussão sobre o biodiesel, o setor sucroenergético acompanha o debate no CNPE e defende o avanço da mistura de etanol anidro na gasolina para E32, ou seja, 32% de etanol na gasolina. A proposta é vista como parte da estratégia de ampliar o uso de combustíveis renováveis no país e reduzir emissões.

Hoje, a gasolina comercializada no Brasil contém 27% de etanol, e o aumento para E32 é defendido por produtores de etanol como forma de fortalecer a demanda doméstica pelo biocombustível.

Consequências do Cancelamento da Reunião

O cancelamento da reunião ocorre em meio a pressões de diferentes segmentos da cadeia de combustíveis.

Com a reunião cancelada, as decisões sobre o futuro das misturas obrigatórias de biocombustíveis — tanto no diesel quanto na gasolina — permanecem em aberto e devem voltar à pauta do CNPE em uma nova data ainda a ser definida.

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