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Engenheira brasileira usou avião para alertar sobre mulheres

Engenheira brasileira usou avião para alertar sobre mulheres

A engenheira Carmen Velasco Portinho (1903-2001) é uma figura emblemática da história do urbanismo e do feminismo no Brasil. Ela se destacou por ser a primeira brasileira a obter o título de urbanista e por sua luta em prol dos direitos das mulheres ao longo do século 20.

A trajetória de Carmen Portinho

Carmen Velasco Portinho começou sua carreira após se formar em Engenharia na antiga Universidade do Brasil em 1925. Sua formação a levou a trabalhar na Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Rio de Janeiro, onde começou a se interessar por questões sociais. Sua visão inovadora contribuiu significativamente para as transformações urbanas do país.

Uma das grandes barreiras que Carmen superou foi a oportunidade de lecionar no tradicional Colégio Dom Pedro II, que até então era exclusivo para homens. Em sua pós-graduação em urbanismo, ela elaborou um anteprojeto para a futura capital federal, Brasília, com a proposta de criar uma cidade que incorporasse os princípios do urbanismo moderno.

No decorrer de sua carreira, Carmen se tornou uma aliada importante na conquista do voto feminino no Brasil, ao lado de Bertha Lutz. Para aumentar a visibilidade da causa, ela chegou a sobrevoar a cidade do Rio de Janeiro, soltando panfletos informativos sobre o sufrágio para as mulheres.

Contribuições para o feminismo

Carmen Portinho foi uma defensora incansável dos direitos das mulheres. Em 1922, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, e, em 1930, estabeleceu a União Universitária Feminina. Além disso, em 1937, criou a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas, sempre buscando garantir o acesso das mulheres ao ensino superior e ao mercado de trabalho.

Essas organizações foram fundamentais para promover a educação e a participação das mulheres em espaços tradicionalmente dominados por homens. Carmen acreditava que a inclusão feminina nas esferas de poder era essencial para a construção de uma sociedade mais justa.

Legado e reconhecimento

Além de seu trabalho em prol das mulheres, Carmen Velasco Portinho teve um papel significativo na arquitetura moderna do Rio de Janeiro. Após estagiar na Europa após a Segunda Guerra Mundial, ela dirigiu o Departamento de Habitação Popular, promovendo a construção de projetos sociais essenciais. Ela também foi responsável pela construção do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio, sendo a única mulher em um canteiro de obras com 450 homens.

Carmen ainda comandou a Escola Superior de Desenho Industrial por 20 anos, destacando-se como líder em um campo predominantemente masculino. Seu compromisso com a igualdade de gênero e o acesso à educação foi reiterado em 1987, quando entregou a Carta das Mulheres aos constituintes, assegurando direitos na nova Constituição, que foi promulgada no ano seguinte.

Depois de sua morte em 2001, Carmen Portinho foi finalmente reconhecida como patrona do urbanismo no Brasil em 2022, um título que reflete sua influência duradoura nas áreas de engenharia e feminismo. Sua vida e obra continuam a ser estudadas e celebradas pela ANE Brasil e pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), consolidando seu legado como uma das pioneiras nas lutas por igualdade e inovação urbanística no Brasil.

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