O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, fez um alerta importante sobre a atuação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele enfatizou que a agência nuclear da ONU deve se abster de transformar seus relatórios técnicos em “instrumentos de pressão política” para que possa contribuir de forma efetiva para uma solução diplomática no contexto atual.
Gharibabadi destacou que a perda da capacidade de supervisão da AIEA em várias instalações iranianas foi resultado de ataques, e não de qualquer falta de cooperação por parte do Irã. Ele argumentou que a AIEA está utilizando as consequências dos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel para criar uma “ambiguidade” em relação ao programa nuclear do Irã.
Contexto Internacional e Relatórios da AIEA
A declaração do vice-ministro ocorreu após a AIEA enviar um relatório aos Estados membros na quinta-feira (4) sem grandes alterações na avaliação do programa nuclear iraniano. Isso se deu mesmo com a intensificação do conflito armado entre Estados Unidos e Israel, que visa conter o desenvolvimento de uma bomba atômica por Teerã.
De acordo com a AIEA, que publicou seu primeiro relatório sobre o programa nuclear do Irã desde os ataques aéreos dos EUA e Israel em fevereiro, a agência novamente solicitou esclarecimentos sobre o destino dos estoques de urânio enriquecido. O urânio em questão desapareceu após uma campanha de bombardeios conjuntos, realizada no ano passado, que teve como alvo as principais instalações nucleares do Irã.
O foco nas operações militares dos EUA e de Israel mostra a complexidade da situação. Líderes como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, têm reiteradamente destacado a destruição do programa nuclear iraniano como uma de suas principais metas durante as ofensivas no final de fevereiro.
Obstáculos nas Negociações Nucleares
Um dos principais obstáculos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã é o estoque de urânio enriquecido. Trump pressiona para que o Irã abande esse estoque, o que prejudica a busca por um acordo diplomático. Atualmente, as discussões têm se concentrado em um acordo preliminar, deixando as questões nucleares para serem abordadas posteriormente.
O relatório confidencial sobre o Irã, que foi um dos dois divulgados na quinta-feira (4), foi revisado pela agência Reuters antes da reunião trimestral do Conselho de Governadores da AIEA. Nota-se que as informações apresentadas mostram poucas mudanças se comparadas aos relatórios anteriores, publicados antes do início da guerra.
Preocupações com a Supervisão da AIEA
O relatório da AIEA fez uma menção específica à necessidade urgente de implementar o Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), ressaltando que a implementação desse acordo não pode ser suspensa sob nenhuma circunstância por parte do Irã. Essa falta de supervisão prolongada tem sido uma fonte de preocupação significativa em relação à proliferação nuclear.
A AIEA não conseguiu revisar os locais nucleares atacados por Israel e EUA desde junho do ano passado. Israel ainda não informou à AIEA sobre o destino de seus estoques de urânio enriquecido, tanto de baixa quanto de alta pureza (HEU e LEU). Dados mostram que o Irã enriqueceu urânio a até 60%, um nível próximo do necessário para a fabricação de uma arma nuclear, o que gera enorme apreensão na comunidade internacional.
O relatório sublinhou a “perda da continuidade do conhecimento” da AIEA sobre o material nuclear previamente declarado em instalações afetadas. Isso destaca a necessidade premente de abordar as preocupações associadas aos sítios atingidos pelos ataques em junho, levando em conta que a AIEA não teve acesso às informações necessárias para verificar a existência e a localização do urânio enriquecido no Irã.
Com o cenário internacional tão volátil, a pressão sobre a AIEA para garantir a supervisão efetiva do programa nuclear iraniano está mais intensa do que nunca. O equilíbrio entre diplomacia e contenção é um tema central nas discussões sobre o Irã e seu programa nuclear, que continua a ser um dos principais focos das tensões políticas no Oriente Médio.


