O Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou, na última quarta-feira (24), a queixa-crime protocolada pelo deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) contra sua ex-esposa, Cíntia Chagas, envolvendo alegações de calúnia, injúria e difamação.
Lucas Bove enfrenta um processo por violência doméstica contra a influenciadora, relacionado ao período de seu casamento, em 2024. O parlamentar alega que Cíntia violou o segredo de Justiça e orquestrou uma campanha de “linchamento moral” nas redes sociais, afetando sua imagem pública.
Visibilidade e Campanha de Difamação
Bove argumenta que Cíntia se beneficiou da notoriedade decorrente do divórcio para faturar com publicidade nas redes sociais. A queixa-crime foi formalizada em agosto de 2024, incluindo um pedido para suspender o perfil dela no Instagram.
O Ministério Público de São Paulo manifestou-se em favor do prosseguimento da queixa, embora a juíza tenha negado o pedido de suspensão das redes sociais de Cíntia e sugerido uma audiência de conciliação.
Audiência e Oposição
A audiência ocorrida na quarta-feira (24) não contou com a presença de Cíntia, cuja defesa alegou que as medidas protetivas a impedem de ter qualquer contato com o deputado. Com a tentativa de conciliação frustrada, a juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves optou por aceitar a queixa-crime, convertendo Cíntia em ré.
Defesa de Cíntia e Contexto Judicial
A defesa de Cíntia, liderada pela advogada Gabriela Manssur, classificou a ação como preocupante, considerando que Bove já responde a crimes por violência doméstica e por descumprir medidas protetivas. Para a defesa, ele estaria utilizando o sistema judicial para “silenciar e intimidar” a mulher que o denunciou.
“A queixa-crime implica uma etapa inicial e não sugere culpa. A comissão de atos de violência é uma combinação de fatores que poderiam convencer o público de um papel invertido, onde a vítima se torna ré. Esse cenário deve ser observado com cautela,” a defesa alegou. A advogada acrescentou que Cíntia não está sendo investigada e que todas as alegações anteriores de Lucas foram arquivadas.
“A intenção é proteger e assegurar direitos fundamentais, especialmente a mulheres que têm coragem de denunciar abusos, apesar das reações desproporcionais que enfrentam, especialmente de figuras públicas como Bove.”