A morte de Andreia Vieira após cirurgias plásticas em Goiânia levantou questões sérias sobre a segurança desse tipo de procedimento. A empresária, que faleceu horas após passar por intervenções no rosto e pescoço, havia investido R$118 mil nos procedimentos. A família relata que não houve consulta prévia e que complicações surgiram após a cirurgia.
De acordo com relatos da irmã, Djiane Vieira, as cirurgias incluíram ritidoplastia facial profunda, entre outras, totalizando uma extensa carga de intervenções. Djiane afirma que a equipe médica não fez uma avaliação pré-operatória, descuidando da saúde de Andreia.
Complicações pós-cirúrgicas
A irmã de Andreia relatou que a paciente ficou aproximadamente oito horas no centro cirúrgico. Ao sair, Andreia enfrentou dificuldades, como a incapacidade de fechar a boca devido ao inchaço da língua. A situação gerou preocupação, mas o médico garantiu que era normal no pós-operatório.
Djiane observou que as condições de saúde da irmã não foram devidamente monitoradas durante a internação. Ela ressaltou que a negligência na atenção médica foi evidente e poderia ter contribuído para o desfecho trágico.
Análise pré-operatória e decisões arriscadas
Em relação à preparação para os procedimentos, a defesa da família trouxe documentos à tona. Os exames realizados por Andreia na Espanha indicavam resultados positivos para anticorpos relacionados à Doença de Lyme, além de outras infecções. Esses resultados foram encaminhados à equipe médica um mês antes da cirurgia, mas, segundo a representação, a equipe não considerou essas informações importantes para uma avaliação abrangente.
Segundo Djiane, o médico minimizou os riscos e alegou que os diagnósticos não comprometeriam a cirurgia. Além disso, a paciente havia retornado de uma longa viagem, fator que deveria ter sido melhor considerado no planejamento da cirurgia.
Causa da morte e investigações
Após o falecimento, o corpo de Andreia foi examinado pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). A análise necroscópica revelou complicações sérias, como secreção hemorrágica, infartos pulmonares e trombose coronariana. Tais achados levantam questões sobre a ligação entre os procedimentos cirúrgicos e as complicações que levaram à morte.
A família protocolou uma representação ao Ministério Público de Goiás solicitando a investigação detalhada das circunstâncias que cercaram a cirurgia e o atendimento médico de Andreia. Pedidos de preservação de prontuários e registros audiovisuais também foram feitos, visto que esses elementos podem ser cruciais para a apuração do caso.
O médico envolvido na cirurgia procurou a família no dia do enterro e mencionou a possibilidade de “devolver” parte do valor pago, o que gerou ainda mais desconfiança sobre a atuação da médica e do hospital.
Esse trágico evento revela a necessidade urgente de uma discussão mais ampla sobre os cuidados pré e pós-operatórios em cirurgias plásticas. O caso de Andreia pode incentivar uma maior fiscalização sobre práticas médicas e garantir que as vidas de pacientes não sejam colocadas em risco devido à negligência.



