Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), afirmou nesta terça-feira (12) que não há indícios do início de um surto mais amplo de hantavírus. Embora não tenha descartado a possibilidade de novos casos, ele declarou que a situação atual deve ser monitorada com cautela.
“No momento, não há sinais de que estejamos presenciando o início de um surto maior, mas é claro que a situação pode mudar e, considerando o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas“, disse ele a jornalistas, durante uma entrevista conjunta com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em Madri, Espanha. Tedros ressaltou que é fundamental que os países decidam as melhores medidas para prevenir novas infecções, uma vez que a OMS não pode impor protocolos de quarentena a nível individual.
Até o momento, nove infecções foram confirmadas, além de dois casos suspeitos, todos relacionados ao navio de cruzeiro Hondius. As autoridades afirmaram que o hantavírus não se espalha facilmente entre as pessoas, o que limita o risco de uma epidemia. Isso é um ponto positivo, já que a transmissão entre os seres humanos é considerada baixa. Ao lado de Tedros, o primeiro-ministro espanhol declarou que a Espanha está monitorando de perto os passageiros após o desembarque. Tedros também agradeceu ao primeiro-ministro por permitir que o cruzeiro seguisse para o país e desembarcasse os seus passageiros com segurança.
O que é o hantavírus?
O hantavírus pertence a uma família de vírus que causa principalmente duas doenças: uma que afeta o sistema respiratório e outra que ataca os rins. A forma respiratória da doença, conhecida como síndrome pulmonar por hantavírus, é a mais preocupante, já que apresenta uma alta taxa de letalidade, que varia em torno de 40%. Essa síndrome é mais comum em regiões das Américas do Norte e do Sul, destacando-se pela gravidade dos casos. Um exemplo que chocou o público foi a morte da pianista Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, devido à síndrome pulmonar por hantavírus no Novo México, em 2025.
Sintomas do hantavírus
A hantavirose geralmente se inicia com sintomas que se assemelham a uma gripe comum, como fadiga e febre, que podem aparecer de uma a oito semanas após a exposição ao vírus, de acordo com informações do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA). Aproximadamente de quatro a dez dias depois, os pacientes podem desenvolver tosse, falta de ar e fluidos acumulados nos pulmões, sinais que indicam a progressão da doença. O diagnóstico precoce se torna um desafio nas primeiras 72 horas de infecção, tornando-se fácil confundir o hantavírus com uma gripe ordinária, o que pode atrasar o tratamento efetivo.
Tratamento e cuidados
Atualmente, não existe uma terapia específica para o tratamento da infecção por hantavírus. O enfoque terapêutico se dá através de cuidados de suporte, que incluem repouso, hidratação e, em casos mais graves, suporte respiratório. Isso pode envolver o uso de ventiladores para auxiliar os pacientes que apresentam dificuldade respiratória, mostrando a necessidade de monitoramento cuidadoso dos sintomas.
Prevenção da infecção
A prevenção é fundamental para minimizar a exposição ao hantavírus. Especialistas recomendam evitar o contato com roedores e suas fezes em áreas onde há presença humana. É importante não utilizar aspiradores de pó ou varrer excrementos secos, pois essas ações podem transformar o vírus em aerossóis, aumentando o risco de transmissão aérea. Medidas simples de higiene e prevenção podem ser eficazes para manter a saúde da população e evitar novos casos de hantavirose.


