O uso de aparelho ortodôntico na infância ou na adolescência é essencial para corrigir e alinhar os dentes. Contudo, após o tratamento, é comum que alguns dentes voltem a se movimentar, gerando frustração. Essa é uma realidade que muitos não conhecem. Durante a vida, os dentes passam por um processo de remodelação natural. Fatores como crescimento, envelhecimento e hábitos como ranger os dentes podem impactar a posição dentária. Segundo o ortodontista Alexander Cassandri Nishida, essa movimentação ainda é possível até o final do crescimento.
Isso ocorre porque os dentes não estão “colados” ao osso. Eles estão encaixados em cavidades chamadas alvéolos e sustentados por fibras elásticas. Quando o aparelho exerce uma força, acontece a remodelação óssea: o osso é reabsorvido de um lado e formado novo do outro. Nesse contexto, o aparelho de contenção desempenha um papel crucial, mantendo os dentes na posição correta e evitando movimentos indesejados.
Uso da contenção ortodôntica
O tempo necessário para usar a contenção deve ser, em média, o dobro da duração do tratamento ortodôntico. Para manter os dentes alinhados a longo prazo, a contenção deve ser utilizada pelo tempo que o paciente desejar manter o resultado. Os dentes inferiores são frequentemente os mais suscetíveis a movimentações, levando à recomendação de contenções fixas, que devem ser cuidadas na higiene para evitar inflamações.
A arcada superior, por ser mais estável, permite o uso de contenções removíveis. Estas podem ser usadas inicialmente em tempo integral e, posteriormente, apenas à noite. A escolha do tipo de contenção depende do perfil do paciente e do cuidado que mantém com a higiene. A dificuldade em seguir recomendações pode levar ao uso de contenções fixas, que não permitem a remoção.
Recidiva e acompanhamento do tratamento
É desafiador evitar a recidiva. Hábitos como roer unhas e bruxismo são fatores que podem contribuir. Além disso, práticas de higiene bucal inadequada podem impactar a saúde dos dentes. Consultas periódicas a cada seis meses são fundamentais para monitorar a contenção e realizar ajustes quando necessário. Em alguns casos, escaneamentos digitais podem ajudar a identificar as pequenas mudanças dentárias ao longo do tempo.
Quando considerar o uso de aparelho
Na infância, hábitos como o uso prolongado de chupetas e a respiração bucal podem indicar a necessidade de um aparelho ortodôntico. Aparelhos interceptativos são sugeridos para estimular o crescimento ósseo e evitar problemas futuros. Esses aparelhos são mais comuns entre 5 e 7 anos.
As intervenções corretivas ocorrem quando a dentição permanente está quase completa, entre 11 e 13 anos, utilizando aparelhos fixos ou alinhadores invisíveis. O objetivo é melhorar o posicionamento dos dentes e a função mastigatória, além de promover uma melhor higiene e respiração.
